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2021 | A RETROSPECTIVA

        Vinte-vinte e um foi uma montanha-russa autêntica e consigo claramente separar este ano em duas fações muitos distintas: a primeira metade que foi feita de solidão, de medo e de desilusão, e a segunda metade onde fui feliz como não era há muito tempo. Claro, que houve alturas na primeira metade do ano em que me senti imensamente feliz e claro que houve alturas na segunda parte onde me senti triste e sozinha mas, overall, este ano não foi uma linha reta - e ainda bem. Esta publicação de retrospetiva serve de reflexão e de apanhado, de lembrete de tudo aquilo que foi inesquecível em 2021. Foi um ano estranho, porém, deveras rico. Recordemos com carinho aquilo que foi bom e aquilo que foi motor de aprendizagem.

        Foi o ano do crescimento mais abrupto e que eu mais precisava: o de viver e saber estar sozinha, o da autonomia e da responsabilidade. Esta foi a minha maior vitória. Ter a capacidade de desprendimento foi desafiante mas foi das coisas mais incríveis que já fiz. Isto depois de ter desistido de um Erasmus, conseguir, finalmente, ir foi emocionante - e só acreditei quando aterrei. Pádua foi a minha casa e foi o palco das aventuras mais loucas. Não me sentia tão leve, feliz e solta há imenso tempo. Bem sei que já parece a anedota do repete - lamento - mas o Erasmus foi (e ainda não acabou) uma aventura daquelas! Vivi com uma espanhola, conheci pessoas de vários cantos do mundo, aprendi a falar italiano, brindei com spritz muitas vezes, provei maravilhas, fiz excelentes amigos, estudei imenso e ainda tive a oportunidade de explorar Roma, Florença, Veneza, Verona, Assis, Dolomiti, Bassano del Grappa, Garda e Bologna. Facilmente, foi o ponto alto do meu ano e da minha curta e ingénua vida. Comprei um bilhete só de ida e fiz do coração a minha bússola.

        Aparte disso, participei remotamente na Missão País, nos Jogos da Primavera e no Cenáculo, assisti afincadamente à Eurovisão e acordei cedo para ver tudo o que queria nos Jogos Olímpicos de Tóquio. Assisti ainda à promessa da Matilde e da Mariana. Amadrinhei o Diogo, a Marta e a Matilde, guiei-os neste caminho, ajudei-os na compra do traje e ainda lhes tracei a capa no meio de tantas emoções. São os meus miúdos de ouro. Amadrinhei também a Catarina no seu "Sim!" na fé, um imenso privilégio para mim pela confiança. Resumindo, foi uma ano de celebrações, incluindo o fim da licenciatura e entrada no mestrado de tantas pessoas que adoro. Foi ano de escrever fitas emotivas e de presenciar a Queima, de celebrar aniversários especiais, de ser vacinada - eu e todos em meu redor - e ainda de celebrar quatro anos de namoro, com direito a gelato e passeios de bicicleta pelos canais e ainda de saborear o nosso típico sushi no 29º aniversário de casamento dos meus pais.

        Vi séries incríveis e li mais que nos anos anteriores - mesmo querendo melhorar muito neste aspectos! Aprendi a tricotar e concretizámos o cardigan do Harry Styles, rendi-me aos podcasts e, para além disso, ouvi muito Miguel Araújo e Taylor Swift on repeat. Visitei museus incríveis, da Gulbenkian a Uffizi, do Aljube ao Vaticano e vi algumas das obras de arte mais magníficas do mundo. Pintei muito, fotografei menos do que gostaria, cortei o cabelo em casa e ainda me rendi ao Notion. Explorei todos os baloiços da serra, desfrutei do verão na aldeia, voltei a acampar e diverti-me em inúmeras noites de jogos em família.

        Tive vitórias pessoais muito bonitas, também: publiquei um artigo científico (sou um et al!), integrei um projeto na minha área onde tenho vindo a aprender e a desenvolver muitas das minhas capacidades e ideias. Tive notas incríveis e fiz cadeiras bestiais - de onde tenho de destacar Publicidade e o trabalho com a Pfizer, História dos Fascismos e Writing for the Media - e ainda abracei o projeto Muda o Chip. Deixei o pimba em paz, mergulhei no mar algarvio no meu vigésimo aniversário, tornei-me finalista e ainda descobri praias secretas na Arrábida com a família. Afastei-me de uma amizade tóxica, fortaleci as minhas amizades mais antigas e vi a minha Joana passado quase dois anos. Fui ao Oceanário, fizemos canoagem em Montargil e tive visitas dos meus pais e do meu irmão. Este último mês do ano foi marcado de forma muito negativa, por sustos relacionados com a pandemia, a solidão de me autoisolar para conseguir passar o natal em família, as avaliações que não correm tão bem e as portas que se fecham. 

        Em 2021 aprendi imenso sobre mim mesma. Cresci muito, tomei decisões importantes e, apesar de tudo, foi um ano repleto de momentos e lições bonitas. Este ano, finalmente, pude voar. 2021 foi superação e de fazer acontecer, de erguer a cabeça e enfrentar com boa disposição o que segue adiante; ano dos acasos bonitos mas também de estrelas cadentes, da família, das saudades. Que nunca nos falte a resiliência, que nunca nos falte amor. É este o meu desejo para o ano que está aí ao virar da esquina. Que aproveitemos todos os dias, todos os abraços, todos os mergulhos no mar, todas as oportunidades, que nunca nos faltem as palavras, que nunca travemos aquilo que sentimos. Tratem de ser felizes, de não deixar para amanhã e de saborear cada pedaço. Este último parágrafo é em especial memória da  minha avó, que faleceu na noite de Natal. Here's to her


2021 | Top12 de Fotografias

        O meu top mais antigo e também o meu preferido. Confesso que 2021 não foi o ano em que me senti mais motivada para explorar as minhas capacidades fotográficas, fazer diferente e arriscar muito. Foi também um ano muito marcado por uma metade com muito poucos registos e uma segunda metade que me toldou os cartões de memória. Nesta publicação anual, prefiro olhar ao valor estético das imagens, os meus pequenos Eureka! através da lente e não tanto ao valor sentimental.

        Estes foram pedaços do meu quotidiano, momentos congelados no tempo que guardarei eternamente. Estes são os meus doze eleitos do ano e estão ordenados de forma cronológica. Qual é a vossa preferida?

12. Almada, Janeiro



11. Oceanário, Junho



10. Vila Real de Santo António, Junho



9. Sabugal, Julho



8. Aljube, Agosto



7. Sabugal, Agosto



6. Veneza, Outubro



5. Florença, Outubro



4. Lago di Garda, Novembro


3. Veneza, Novembro



2. Lago di Dobbiaco, Novembro



1. Pádua, Dezembro


2021 | 12 Temas, 12 Preferidos

Um bocadinho inspirado na minha publicação de aniversário, escolhi doze temas, em forma de verbos,   e consequentemente o meu predileto em cada um destes de modo a fazer um pequeno apanhado dos meus preferido de vinte-vinte-e-um. Nesta publicação podem compreender aquilo que me enriqueceu este ano: de livros a séries, passando por podcasts e exposições. Contem-me, também, quais foram os vossos preferidos dentro de cada temática!


LER | O Velho que Lia Romances de Amor 

De Luís Sepúlveda e com a América do Sul como pano de fundo - tão diferente de todas as obras europeió-americanas que sempre li. Curtinho e leve, conciso e apaixonante. Fez-me viajar através da leitura e fez-me ficar nervosa a cada página que lia pelo desfecho final. Um livro bonito sobre o amor pelos romances e a busca por um feroz predador no meio de povos indígenas. É o meu eleito para livro do ano e podem ler mais sobre a minha opinião acerca dele aqui!


VER | The Crown

Vem mesmo do início do meu ano, a eleita é The Crown. Sou apaixonada por história e esta série descreve de forma tão magnífica e bonita as últimas décadas da família real britânica, mais especificamente o reinado de Isabel II, com todas as suas sombras e desacatos. Não tenho palavras para a fotografia e para a realização, para a forma como percorre tantas épocas históricas nos mais ínfimos detalhes. Simplesmente sublime. Lê mais sobre a minha opinião aqui!


VISITAR | Assis, Itália

Ainda não consegui escrever sobre Assis como gostaria. Há tanto para dizer. No meio de tantas igrejas barrocas, grandes canais e cidades, foi um pequena vila na Perúgia, a sua paz e a sua beleza imutável que encheram as minhas medidas. É um sítio que não se explica, um local de muita fé, envolto em magia e era um sonho de miúda que vi concretizado. Demasiado poderoso para conseguir pôr em palavras.


COMPRAR | A Bicicleta

Em segunda mão e com suspeitas de que foi roubada antes de me ter sido vendida, adquiri a minha bicicleta azul em Pádua no segundo dia da minha estadia e, mesmo com os seus problemas, foi das minhas compras preferidas e provavelmente a mais útil. Voltei a apaixonar-me por andar em duas rodas e foi parceira de todos os dias. Brevemente voltarei a vendê-la mas foi sem dúvida o meu dinheiro mais bem gasto - isso e ter pago 9€ por uma viagem de oito horas até Roma, giggles.


ESCUTAR | Red (Taylor's Version)

Sem dúvida.. original. Nunca tinha prestado muita atenção à discografia da Tay-Tay até este ano mas desforrei-me bem. A Taylor foi a minha artista mais ouvida no Spotify e tenho-me divertido imenso a perceber o seu background, liricíssimo e easter eggs. Red (Taylor's Version) foi lançado em novembro mas valeu por vinte-vinte-e-um inteiro. Magnífico e cheio de alma.


RIR | Terapia de Casal

Nada de novo, verdade? O Guilherme e a Rita conseguem-me arrancar um sorriso todas as semanas com as suas parvoíces e discussões. Mais recentemente, até me tenho rido ao ler o livro - e não sou de book-laugh fácil. Eles são podcasters absolutamente extraordinários, primam pela vontade de querer sempre inovar e adorava ter estado na apresentação do livro. Foram a minha companhia todas as semanas sem exceção. Menção honrosa na secção Rir para o Extremamente Desagradável da Joana Marques.

CULTIVAR | Mulheres e Resistência, no Aljube

Mesmo ao pé da Sé de Lisboa e com a minha companhia museológica preferida - a minha mãe - revisitámos um Aljube - uma prisão política do tempo do Estado Novo. Esta exposição temporária em específico fala  "sobre o papel das mulheres na resistência ao totalitarismo, os princípios do feminismo em Portugal e ainda a importante história das Três Marias e o seu impacto a nível internacional. Relembra-nos que, há não muito tempo atrás, as mulheres eram inferiores constitucionalmente e do quão importantes foram as mulheres na conquista da liberdade." Leiam mais obre esta exposição, aqui!


SABOREAR | Gelato do Portogallo

A melhor gelataria de Padova e, para mim, a melhor do mundo, vende elado cremosos provenientes da receita secreta do mestre gelateiro Alberto Portogallo. É uma pequena gelataria que tende a ter fila, até nos meses mais frios. Podem haver pizzas, massas, pestos e pretzels divinais mas os gelatos, senhores.. os gelatos. Menção honrosa para o sabor a pistachio, amendoim e framboesa! Indescritível de tão cremoso e saboroso que é.



VESTIR | Casacão de Inverno

Da Decathlon e comprado em 2016, continua a ser o meu parceiro das temperaturas mais gélidas. É verdade que é um casaco de ski, porém vale o investimento e é a única peça de roupa que me faz não ter frio desde o Inverno lisboeta até aos Alpes Italianos. Não foi em 2021 que foi comprado mas foi neste ano que lhe dei mais uso, por isso, tem a sua menção honrosa.


NAVEGAR | Notion

O meu fiel parceiro de 2021 e uma das minhas descobertas preferidas: a plataforma Notion. Deixei de ser fiel ao papel e pude render-me às tabelas, às categorias e às infinitas possibilidades que existem deste bulletjournal online, tão orgânico e fluído. É uma peça fulcral no meu dia-a-dia e na organização da minha vida pessoal e académica. Podem ler como organizei o meu Notion, aqui!

 

APRENDER | Italiano

Este ano aprendi a falar italiano. Sem aulas e com muito poucas bases mas desenvolvi um nível alto de compreensão e um nível intermédio de fala, tudo por assimilação, por ler e ouvir muito, por arriscar e não ter medo de falar. Não consigo ter conversas complexas, porém o meu vocabulário chega-me para o que preciso no dia-a-dia. Gostava de aprender mais e melhor, com mais background gramatical e frásico, mas foi uma aprendizagem um bocadinho sofrida, porém muito gira. Parliamo in italiano? Ah, também aprendi a fazer sopa e tricot!

CRIAR | Caderno Andorinha

Feito com amor pel'O Beija Flor, foi o meu diário dos últimos meses, permitindo-me escrever, colar, desenhar e pintar aquilo que sentia, via e percebia. Foi barro nas minhas mãos e que bonito foi criar no seu seio. Foi um absoluto favorito, de capa dura com uma cor belíssima, uma andorinha dourada, páginas grossas, lisas e sem qualquer inscrição, perfeitas para serem rabiscadas com as minhas aventuras, ideal para ganhar asas.

(https://www.obeijaflor.pt/shop/andorinha-verde)

2021 | Novembro

        Já na reta final do ano, Novembro foi um mês recheado de vivências, viagens, estudo e muitas muitas memórias para um dia recordar. Com os dias a minguar e as temperaturas a descer, em Novembro encontrei calor e conforto nos amigos que fiz aqui, no apoio mútuo e também nas visitas que tive de Portugal.

        Foi altura de focar no estudo e de preparar paras a avaliações que aí vêm enquanto que, pelo meio, planeava viagens. Visitei Bologna, fui ter com a Margarida e esta foi das cidades onde mais me diverti, desde a minha visita sozinha a uma galeria de arte até à Pizza Casa que custava 2,50€. Seguido de Roma, patrocinado pelo sofá da Kika e da Catarina onde fizemos Roma como verdadeiras turistas. Vi igrejas que me levaram as lágrimas aos olhos, explorámos a Roma romana, mandámos três cêntimos e um botão para a Fontana de Trevi e, apesar dos imprevistos, fomos impressionadas pela imensidão do Vaticano. Ainda dentro desta viagem fomos a Assis e eu ainda estou a tentar processar e a tentar escrever sobre este sítio, deveras especial, tudo enquanto vivia o outono mais bonito da minha vida, as cores de Itália não mentem. Por último, com a visita dos meus pais foi hora de fazer uma maratona entre Pádua e os seus gelados e frescos giottianos, Ferrara e a sua medievalidade, amorosa Verona, impressionante Veneza e abismal e repleta de neve, Dolomitas. Indescritível

        Novembro de Glória, de podcasts e de ter a surpresa de receber o Livro de Terapia de Casal por aqui. De ver as decorações de Natal a preencher as cidades e de começar a planear os primeiros presentes e secret santas. Novembro foi de encher o coração e esfriar os pés, de aproveitar cada segundo ao máximo e de me aperceber que esta etapa está a passar a correr, que tenho um estágio para planear, que cada segundo conta e que tenho de aproveitar cada oportunidade. Foi bonito, marcante e estou tão ansiosa por tudo aquilo que ainda tenho para viver aqui. 

2021 | Setembro e Outubro

        Com o turbilhão de afazeres, a publicação de Setembro ficou nos rascunhos mas até acho interessante juntá-la a outubro pelo contraste. Setembro foi altura dos últimos abraços, dos últimos "boa sorte, vou ter saudades" e de fazer as malas. Outubro foi altura de partir, de começar uma nova etapa tão diferente de tudo o que já vivi, de viver longe, sozinha, de ter de começar de novo. Um misto de assustador e de desafiante mas, passado um mês, imensamente recompensador.

        Para além das minhas despedidas - tão bonitas e marcantes - foi hora de me despedir da Mafalda, da Bea, do Feli e da Raquel que, tal como eu, foram fazer este semestre fora de Portugal, seja para estudar ou em ações humanitárias. Altura das últimas papeladas, de votar nas autárquicas. Outubro começou com um último jantar de família e as últimas despedidas emocionadas no aeroporto. Fiquei nervosa durante todo o processo exceto durante toda a viagem e chegada cá, uma sensação de paz tremenda envolveu-me provavelmente porque durante muito tempo vi este objetivo de vida, que coloquei na minha lista há tantos anos, impossível de concretizar, pareceu-me irreal. 

        Em outubro vim para uma universidade nova - com mais 760 anos que a minha universidade em Lisboa - numa cidade nova, tão pacata mas tão mágica. Todos os dias me sinto imensamente grata ao andar de bicicleta pelas arcadas da cidade enquanto as folhas de outono caem no rio. Outubro foi de novos amigos, de novos métodos, novas rotinas, novas responsabilidades. De desenrascar e organizar. De aprender que sou incrível a fazer risotto e sopa e que sou capaz de resolver qualquer situação. Em outubro fiz de Pádua a minha casa. Descobri a cidade e pude ainda explorar Veneza, Verona e Florença e sinto-me tão grata por esta oportunidade. Foi também altura da visita do Daniel e do nosso quarto aniversário de namoro, celebrado com pizza e gelato, as we should!

        Não há nada tão assustador e desafiante ma igualmente enriquecedor e estimulante do que começar de novo, sozinha. Um brinde de spritz a novos inícios, já está a ser memorável e ainda agora começou!

2021 | Agosto

        Sem grandes planos, Agosto fez me sair muito de casa, desfrutar dos dias solarengos e celebrar pequenas vitórias. Foi um mês de viagens de carro, de mergulhos no rio e de reencontros com os avós. O único mês do ano com fins de semanas livres e sem horários de treino para descansar em pleno e recuperar forças para uma nova época.

        Agosto de Jogos Olímpicos e Paralímpicos, de medalhas e diplomas e de um pódio pouco expectável porém emocionante na Ginástica Rítmica. Agosto de vacinação completa e de certificado digital em punho, de longas horas na estrada a escutar rádio e a ansiar por tudo o que aí vem. Fiz obras em casa, conduzi, andei de baloiço, fiz geocaches e fui a um concerto. Mas, claro, houve tempos de ler e apanhar sol. Inscrevi-me no último ano da faculdade - socorro que sou finalista..! - tratei de muita burocracia e comprei um bilhete de avião só de ida.

        Um mês longo, cheio de fotografias para mais tarde recordar, momentos calmos e de introspeção. Que setembro passe num ápice e que seja a preparação para uma aventura daquelas! De despedidas e de recomeços, de fazer do coração bússola e de preparar-me para descolar. Estou muito entusiasmada, Setembro, traz me calma e por favor, passa num abrir e fechar de olhos!

2021 | Julho

        Mesmo que mais ameno, Julho foi tudo aquilo que precisava: calmo e sereno. Levou-me a sítios novos e a outros que já conhecia, fez-me conhecer novos sabores e apreciar momentos imensamente bonitos. Os dias longos casaram na perfeição com um jantar no alpendre, com saladas frescas e mergulhos sempre que possível, e foi tão bonito!

        Ficou marcado por, finalmente, ter sido vacinada (porque estou numa lista prioritária designada pela task force) e fiquei tão feliz que quase chorei com a sensação de que, brevemente, poderei realizar os meus sonhos que ficaram estagnados. Foi um mês de celebrar o aniversário de casamento dos meus pais com sushi, de festejar a entrada no mestrado que ele tanto queria e ainda de festejar o crisma da Catarina, que de forma tão gentil me escolheu como madrinha. Além de tudo, foi altura de sair de casa, apanhar sol e passear. Rumei a norte até à minha avó, à Arrábida, às praias da costa e a Sintra. Dias solarengos, gelados de cone na mão e muita vontade de explorar tudo. Visitei várias exposições com a minha mãe e ainda pintei com aguarela com ela e ultra recomendo, é terapêutico!

        Julho foi um mês mais simples e pleno mas onde começou alguma ânsia pelos próximos tempos. Estou tão ansiosa e só quero que corra tudo pelo melhor. Que Agosto seja leve e que seja repleto de abundância e luz, sejam felizes!

2021 | Junho

         E finda ao meu mês predileto do ano, junho é sempre tão tão bonito e cheio de surpresas. Mês dos jacarandás em flor, dos meus vinte - sim, malta, vinte! - e de pôr fim ao segundo semestre e ao segundo ano da licenciatura, sim.. sou quase finalista..!

        Foi um mês trabalhoso, mesmo que fora de aulas, mas muito compensador. Pude conviver com os meus afilhados e fui convidada para ser madrinha de Crisma da Catarina  e é sempre tão especial obter esta confiança! Foi altura de ver a promessa da Mariana e da Matilde à distância - por muito que doa.. é assim - de largos passeios a terras algarvias com direito a banhos de mar e de sol, livros na mochila, noites de jogos em família e de desbravar trilhos em busca de flamingos no seu habitat natural, mágico, mágico!

        Foi o passeio ao oceanário, a Carcavelos, a Cacela e à Lagoa Azul, a melhor carbonara do mundo, as saladas frescas e os croissants do Careca. Foi o meu vai fully vaccinated e o Daniel licenciado e a entrar no mestrado que tanto queria. Foi altura de ver os meus finalistas a unir-se num último "Nós" com as suas pastas repletas de fitas na mão. Junho de burocracia mas também de um aniversário muito bonito com direito a mojitos, um abraço aos avós e muitas mensagens bonitas, os meus vinte foram celebrados com bolas de Berlim e muito muito amor. Junho é sempre bonito, e este não foi diferente. Que julho traga alegria e seja repleto de serenidade!

2021 | Maio

    Uma coisa excelente de  maio: o stress das avaliações foi o piorzinho, o que significa que não foi um mês tão duro assim nas restantes facetas da minha vida, o que é excelente, estava a precisar! Um mês ambíguo entre a calma e o stress, os inícios e os fins. É um mês tipicamente académico e por isso foi altura de escrever fitas e de projetar o coração dorido da despedida através de uma caneta prateada. Altura de dar corda às sapatilhas no estudos e de dar o litro afim de concluir o segundo ano da licenciatura - e adoraria destacar o trabalho que realizámos em parceria com a Pfizer para a unidade curricular de publicidade, falo-vos melhor disto quando vos falar das cadeiras que fiz este semestre. 

    Maio foi altura de reflexão sobre o meu progresso e o meu Projeto Pessoal de Vida, voltei aos escuteiros e ao campo, organizei um escape room para os meus caloiros e finalmente conheci os meus queridos afilhados - com direito a cantar 1D no carro com a Matilde. Foi altura de cuidar da piscina para futuros mergulhos, de celebrar a vacinação do meu pai e de viver uma sofrida noite de eurovisão com o Daniel - que adorei e quero repetir nos anos vindouros!

    De dias cada vez mais longos e mil e um prazos por cumprir, maio foi bonito à sua maneira e espero que junho não só traga boas notícias como que faça jus ao belíssimo mês que é. Que dê para descansar e celebrar a vida, como merecemos. Feliz junho, um mês de luz!

2021 | Abril

        Abril de reviravoltas e de emoções à flor da pele, um mês que me pôs à prova e no qual fui deveras introspetiva e resiliente. É quase que um alívio fechar o capítulo que foi abril mas, obviamente, há sempre coisas boas a recordar e a mencionar. Foi no quarto mês do ano que publiquei o meu primeiro artigo científico - e ser o et al de uma referencia bibliográfica é maravilhoso! -, completei o meu learning agreement e tive feedback maravilhoso do meu trabalho e dedicação, o que, para mim, é impagável.

        Abril de cenáculo e de jogos da primavera, abril de orgulho no à vontade que estou a ganhar quando falo em público, abril de gelados, passeio amorosos e peças de cerâmica, de rumar à aldeia e descobrir os novos baloiços da serra. Foi altura de celebrar a Páscoa em casa, de preparar atividades dos escuteiros e de voltar aos treinos presencialmente. Foi nestes dias que obtive a notícia de que só uma das minhas unidades curriculares seria presencial e, deste modo, realizei o meu primeiro teste covid (obviamente negativo e muuuuito tranquilo). Tive a minha to-do list preenchida de tarefas universitárias, frequências, briefings e revisões de última hora, para além de propostas de trabalhos universitários que nos colocarão à prova, e eu estou tão entusiasmada! Abril de liberdade.

        Apesar de tudo isto, abril teve o seu reverso da medalha, não só a notícia da doença de um amigo que nos deixou chocados e de coração nas mãos, como também foi altura da decisão de me afastar de um outro amigo por não me conseguir enquadrar com ações que vão contra os meus valores. Também sinto que fui vocal quanto a injustiças que ocorreram para com pessoas próximas e tive vontade de berrar na almofada muitas vezes. É colher as aprendizagens e seguir.

        Abril duro, porém, necessário. Começo Maio deveras ansiosa não só pelas despedidas que este mês simboliza, pelo fim do semestre mas também pelo medo do desconfinamento. É, como sempre, esperar o melhor. Que maio seja leve..!

2021 | Março

        E um quarto do ano de 2021 se passou entre as paredes do meu quarto. Mais um mesinho em confinamento com a lenga-lenga do costume. Por este trilho andamos há um ano e tanto se passou, tanto mudou. Março divergiu dos últimos meses pelo solinho e pelos dias longos e tão bons que a primavera nos trouxe, de resto está tudo na mesma.

        Foi mais um mês em que não faltei a uma aula e onde mantive o meu estudo diário impecável e organizado, por muito que custe, é aquilo que me faz sentir produtiva e que faz com que os meus dias passem mais depressa. Soube que entrei em Padova, novamente, e só quero acreditar que será desta e que todo o processo seja santo. Além disso, foi não só mês do dia do pai, como mês do dia da mulher que acho que é das datas que mais me emociona. Foram vários os aniversários celebrados à distância e os abraços ansiosos por terem as minhas pessoas de volta. Apesar de tudo, deu para reunir os amigos via zoom, jogar sudoku e às cartas em família, ver a série Quatro em Linha (produzida pelo Núcleo do meu curso, go watch it!!!) e todos os meus avós foram vacinados. Foi um mês de trabalho e em que senti que estou mesmo a estudar aquilo que é certo para mim e que me empolga, fiz parte do brainstorm para grandes campanhas e estou tão entusiasmada por ver tudo sair do papel!

        Mesmo com o empolgante anúncio do desconfinamento, não pude deixar de ficar desolada devido ao anúncio de que as minhas aulas continuarão a ser online. Bem, foi um excelente segundo ano de licenciatura onde só frequentei o auditório 3  durante meio semestre, é assim. Confesso que inicio abril desanimada e exausta mas espero arrebitar, aí desse lado, tratem de ser felizes e de manter o cuidado! Dias melhores virão.




2021 | Fevereiro

        Um mês calmo, pleno e ponderado, tudo aquilo que precisava depois do furacão que foi janeiro. felizmente tenho lidado razoavelmente com a quarentena e sei que tenho muita sorte nisso. Metade da mesma passei de férias e fiz exatamente aquilo que faço sempre: ficar no sofá. Para além disso, não é um novidade e já sei como "actuar" nesta situação e há fim à vista. É lidar, manter a calma e agradecer pelas coisas simples, como conseguir estudar remotamente, ter um tecto e comida na mesa todos os dias. 

        Foi um mês feliz, amadrinhei três miúdos que me fizeram chorar, gargalhar e tem sido tão giro estar deste lado, conhecê-los melhor e acompanhá-los, estou ansiosa por aquilo que o futuro nos reserva. Foi o mês em que começou o segundo semestre do segundo ano da licenciatura, inscrevi-me em unidades curriculares fascinantes, outras nem tanto, mas estou entusiasmada por todos os conteúdos que vamos abordar e por todo o conhecimento que irei adquirir. Espera-me um semestre trabalhoso mas muito gratificante, espero.

        Voltei a candidatar-me a Erasmus e dei conselhos sobre tudo aquilo que sabia acerca deste tema. Que seja desta! Além disso, fiz Missão País online e foi tão enriquecedor e quentinho no coração que me deu força, inspiração e coragem para duas coisas: cortar o cabelo em casa e concretizar um dos meus objetivos para este ano, que consegui e que me trará muito trabalho mas também novos conhecimentos e competências, ansiosa por aprender mais! Foi também gatilho para acontecerem três coisas muito.. inexplicáveis, acasos bonitos e com sentido.

        Também no segundo mês do ano conclui a execução de um cardigan à la Harry Styles, trabalhei no meu Notion, a minha avó foi vacinada, vesti-me bem ao domingo por razão nenhuma e deliciei-me com as iguarias da minha mãe. Fevereiro foi de saudades e de videochamadas, jogos e gargalhadas que encurtam a distância. Foi um mês bonito e pleno com alguns dias que emanaram cheirinho a primavera, novidades bonitas, boas perspetivas de futuro e muito trabalho pela frente. Termino fevereiro absolutamente grata e é "maravilhoso ter tão pouco para pedir e tanto para agradecer!", em Março, sejam luz!

2021 | Janeiro

        E ao septuagésimo quarto dia do primeiro mês do ano vos escrevo esta reflexão. Um ano que começou em casa  jogar jogos em família, com um bonito brinde e os únicos abraços que se podem dar. Foi diferente mas igualmente feliz. Janeiro foi um mês calmo na minha vida, sem grandes planos nem objetivos, o que foi ajudado pelo confinamento em que estamos. Felizmente, não fui afetada diretamente pela pandemia, seja a nível de rendimentos familiares ou sequer de doença, tenho imensa sorte de me poder resguardar em casa, sinto-me imensamente grata por isso. 

        Foi também um mês muito marcado politicamente: fiz maratona de todos os debates televisivos, tratei de me informar o melhor que pude e fui votar no Presidente da Republica que mais me representava. Para além disso, vieram à tona assuntos, desinformação e ódio que me amedrontaram, de verdade. E não foi pouco. Para além disto, presenciámos momentos que ficarão para a história da humanidade.

        Logo no início do mês tomei a decisão de desistir da minha mobilidade Erasmus - para onde ia dentro de um mês - e espero, de coração, poder algum dia concretizar este sonho. Assim, conclui também o primeiro semestre do segundo ano da licenciatura e ainda me inscrevi nas Unidades Curriculares do semestre vindouro. Maratonei The Crown, li, tricotei e desenhei uma história para um projeto do CNE. Foi um mês numericamente assustador e foi altura de regressar a casa - in fact, comecei a confinar voluntariamente uma semana antes do anunciado. Voltar àquilo de que não tinha saudades, a expectativa inexistente, as videochamadas, o vazio, o medo.

        Foi um mês de "médios" e baixo, sem grandes altos, felicidade extrema ou emoção. Mas é assim, é o que temos e é para cumprir. Passar o tempo, acreditar em dias melhores e aproveitar as pequenas coisas da vida e também as mais fulcrais. Sinto falta de ir às aulas, de abraçar o Daniel e de simplesmente conviver com os meus amigos. Muita coragem para os tempos - que não serão nada fáceis - que se avizinham. Sejam felizes, cuidem-se e cuidem dos vossos.

2021 | Os Objetivos

        Num ano que nos deu a volta consegui, mesmo assim, concretizar alguns dos objetivos a que me propus há exatamente um ano atrás. Tirei a carta de condução, fiz a minha promessa e passei a todas as cadeiras sem ir a recurso, no entanto, contra todos os meus planos agendados, não fiz as duas viagens que tinha planeado - só uma delas -, não fui a Drave nem conquistei as 200 noites de campo. Com a viragem do ano, é altura de analisar os objetivos passados e também projetar os futuros. Apesar de, de momento, me ser muito complicado criar objetivos a longo prazo e de ter uma agenda absurdamente vazia, consegui conceber alguns pontos que adorava desenvolver/concretizar este ano, se for possível.

Integrar um Projeto na minha Área | É hora de não só construir currículo como de ser útil em algum dos projetos colaborativos que por aí andam. Tenho os meus prediletos e gostava imenso que começar a colaborar num projeto seja na faceta comunicacional, de redes sociais, escrita ou fotografia, let's make this happen!

Ir de Erasmus | Tenho tudo pronto para ir em fevereiro mas posso a todo o tempo cancelar, devido à evolução pandémica. Ainda é algo a decidir já ponderei ir somente em setembro, mas ou é este ano ou não é de todo, o semestre que resta é o último da licenciatura e quero acabá-lo ao lado dos meus. É um dos meus grandes sonhos de vida, há anos, e se não for este ano nunca será. É daquelas oportunidades que sei que nunca mais terei e vou lutar - e rezar. Se não der, paciência, é a vida. Mas é objetivo.

Passar a todas as Cadeiras à Primeira | O desejo de todos os anos: não ir a recurso. Simples, básico mas trabalhoso na sua génese.

Uma Despedida em Condições | Já que no ano passado não houve Queima para ninguém, gostava de este ano, de alguma forma, me conseguir despedir daqueles que tanto me têm ensinado, que são guias e companheiros e mais do que tudo, amigos do coração. 

Mais consciente e Sustentável | 2020 foi o ano da transição para o slow fashion, a compostagem, os cosméticos sólidos, mais refeições meat free. Em 2021 gostava de mudar mais alguns aspetos no meu lifestyle, mesmo sendo somente uma gotinha num oceano imenso.


 
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