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BRUGES, BÉLGICA | Roteiro para Um Dia

   Bruges fica a uma hora de Bruxelas, de comboio, e foi o local que mais gostei de visitar durante toda a viagem. Apesar de fria - não só devido à tempestade que apanhámos mas também devido às influências marítimas - revelou-se acolhedora e, apesar de pequenina, mostrou-se todo um mundo. É uma vila pequena e medieval que é atravessada por belíssimos canais, detém uma arquitectura esplêndida e muita história a cada esquina, cada recanto, cada pormenor. Assim sendo, vou dedicar somente esta publicação à vila, que se localiza no norte da Bélgica, pois acredito que, para este local, é muito melhor ter  a informação toda condensada no mesmo sítio.


   Antes de mais, há várias formas de lá ir ter, seja de autocarro ou de comboio. Optámos por este último. Comprámos os bilhetes no site da Belgian Train. Escolhemos esta opção pois encontrámos duas vantagens de viajar desta forma na Bélgica: para menores de 26 anos todos os bilhetes custam 6,60€, ou seja, ida e volta custa o dobro e, ainda, o bilhete não tem horas, o que signifique que podem apanhar o comboio à hora que quiserem, não há drama se perderem um. Apanhá-mo-lo na Estação Central de Bruxelas, mas esta mesma linha pára noutras estações da cidade. A viagem foi muito confortável e tranquila, demorou em torno de uma hora, e deu para apreciar as planícies belgas e o quanto a influencia francesa desaparece assim que saímos da capital. Isto é denunciado bicicletas às centenas, peas casas típicas da região da Flandres, e até pelo anúncio das estações no interior do comboio que passaram a ser em holandês! Foi muito engraçado presenciar esta mudança cultural numa questão de segundos.

2020 | Março

   Atípico, esquisito, porém, cheio de lições. É assim que caracterizo Março. O crescimento exponencial de casos derivados da pandemia no nosso país trouxe-nos para casa para nos manter seguros. A minha faculdade fechou, deixei de ter treinos e actividades do escuteiros, deixei de ter aulas de condução e todos os eventos incríveis, pelos quais ansiava, foram cancelados um a um. No início não compreendia a gravidade da situação, por isso agradeço a quem me elucidou. Vi os meus planos a curto e longo prazo cancelados e não saber quando toda esta situação finda fez-me sofrer muito. Vi sonhos serem deitados a baixo, fosse o semestre de Erasmus ou um mochilão pela América do Sul que não aconteceu. Não foi um mês feliz, sou uma pessoa de pessoas e preciso muito de conversar, de ir tomar café e de passear. Não tem sido fácil mas tenho fé e esperança num fim, numa cura e num retorno aos abraços quentinhos das nossas pessoas.

   Apesar de quase nada ter corrido como previsto, quero destacar as coisas boas que aconteceram este mês. Apreciar as coisas boas tem sido a minha estratégia para lidar com toda esta situação de isolamento. Fui colocada em Erasmus na cidade de Pádua, em Itália, ali entre Veneza e Verona e a um pulinho das Dolomiti, da Eslovénia e da Croácia. Ainda não sei se vai acontecer - é só daqui a um ano! - mas não há nada que me entusiasme mais do que sonhos prestes a realizar-se. Em Março participei no meu Cenáculo, um fim-de-semana de discussão e debate sobre o Caminheirismo. Conheci projectos e pessoas com muito bom fundo, dancei, cantei, chorei. Foram dias muito muito bonitos, mesmo! Este mês estive à frente das câmeras a ser fotografada com a Inês - por favor vejam o trabalho dela! A premissa era simples, "finges que estás sozinha e dança!" e o resultado deixou-me chocada. Posso até ter feito um bom trabalho mas a Inês fotografou e editou como ninguém. Este convite foi um autêntico privilégio e quero muuuuito repetir. Fui cobaia para a tese de Mestrado do meu irmão e vi-o entregá-la, não nas circunstâncias que gostávamos mas nas que podemos e brindámos em família ao fim de um longo e bonito percurso académico

   Apesar de tudo o que de mau acontece lá fora, há que destacar o bom. Têm surgido iniciativas tão bonitas, agradecimentos e ondas de solidariedade que enchem o coração. Há concertos, aulas de dança, jogos e espectáculos de humor online. Os professores e os alunos adaptam-se, a família está em casa e todas as refeições são com todos à mesa - o que era raro no meu dia-a-dia atribulado. Batem-se palmas à janela, valorizam-se os postos de trabalho verdadeiramente importantes, relembramos com saudade as coisas mais simples e adaptamos-nos perante as adversidades. Acredito que esta situação ainda vai durar mas acredito ainda mais numa mesa cheia de amigos a rir-se das parvoíces que fez durante o isolamento social quando tudo passar. Tenho fé e tenho esperança, mesmo que tenha fraqueza e chore de forma corrente. Tenho fé e tenho esperança no abraços e beijos apaixonados que nos esperam, nas caminhadas infindáveis e nas gargalhadas fora do ecrã. Tenho esperança pelos sonhos e pelas viagens. Espero, de coração, que todos vocês estejam bem e os vossos também. Protejam-se e apoiem quem precisa. Tenham esperança!


DIA-A-DIA | 5 Sugestões para a Quarentena

   Os tempos que correm exigem isolamento social, resiliência e muita calma e organização e, para me abstrair das tarefas e afazeres universitários que têm consumido todos os dias da minha semana, tive de arranjar alternativas para poder descansar ou esvaziar a mente. Trago algumas sugestões para o fazerem, também: uma app, um projecto, uma lista de reprodução e dois desafios para fazer com que a vossa quarentena seja menos monótona, pelo menos têm me ajudado a descontrair e a não me sentir sozinha, espero, de coração, que gostem!

Videos de Crime da Joanna Pratas | A Joanna é uma youtuber portuguesa que, como muitas outras, fala de beleza e lifestyle mas o que a diferencia de todos os outros é o facto de ter uma série dedicada a contar histórias de crimes reais. Detém a série Solved e a série Unsolved, respectivamente, as histórias de crime com resolução e aquelas em  que nunca se soube o que, de facto, aconteceu. É macabro e assustador mas mentalmente desafiante. Os vídeos são compridos, porém simples. A Joanna conta as histórias de forma pormenorizada e disponibiliza sempre documentários e outros materiais de apoio para perceberem melhor os enredos. A série Solved revelou-se a minha predilecta por conseguir testar a minha mente ao conceber teorias até ser revelada toda a verdade! Podem aceder aqui à série Solved e aqui à série Unsolved!

Treino com o PT Paulo Teixeira e Helena Coelho | Todos os dias pelas 19:30h a Helena e o Paulo disponibilizam um treino em modo live no Instagram - um dia na conta de cada um, alternadamente. Não tenho feito todos - até porque tenho um plano específico para mim para cumprir - mas são dezasseis minutos que vos fazem suar à séria e tornar este tempo em casa um bocadinho menos sedentário. Recomendo imenso!

Duolingo | Conheci esta aplicação graças à Inês e já vou nos dezoito dias seguidos a aprender italiano! É uma aplicação que facilita a vossa aprendizagem de línguas e onde somos desafiados com exercícios orais, escritos, auditivos e de tradução. Tem sido uma forma simples e rápida de me por à vontade no italiano e de me dar algumas bases desta apaixonante língua. Desafio-vos a aprenderem uma língua diferente, nem que seja uns minutinhos antes de dormir. É extremamente benéfico e tenho adorado aprender algo mais do que gelato e grazie mille!

Uni at Home | Esta altura costuma ser pautada pelas feiras das universidades, pelos dias abertos e pelas mil e uma publicidades dirigidas aos alunos que se encontram no fim do seu percursos escolar. O projecto Uni At Home surge neste contexto de pandemia para ajudar alunos de secundário a escolher o curso e instituição interagindo com actuais ou antigos alunos dos mesmos. O projecto tem duas vertentes: a do estudante do secundário que selecciona as áreas que lhe interessam, e a do aluno universitário, que se disponibilizará para lhe responder a todas as dúvidas. São criados pares e aí começa a partilha de questões mas também de conselhos e recomendações! Inscrevi-me há pouco e ainda não tenho nenhum aluno do secundário mas estou ansiosa por conversar com quem queira fazer da NOVA-FCSH ou de Ciências da Comunicação a sua casa nos próximos três anos! Podem aceder aqui!

Lockdown | Esta é uma espécie de escape room virtual, criada por portugueses, com 14 episódios - para cobrir os 14 dias de isolamento recomendado - onde se têm de inscrever e receberão um enigma, via e-mail por dia, acerca da investigação sobre a fuga de um hipotético prisioneiro. Ainda não consegui testar mas achei a ideia genial e, por essa razão, tinha de partilhar! Podem inscrever-se aqui e despertar o detective que há em vocês!



VIAGENS | Em Viagem Eu Já...

Alcancei o quilómetro zero do caminho de Santiago, que não fica em Santiago de Compostela; Apanhei o nevão da minha vida em frente a uma Sinagoga, em Budapeste; Rebolei numa verdejante colina em Bregenz, na Áustria; Vi algumas das minhas obras de arte preferidas como o David, a Primavera ou o Nascimento de Vénus, em Florença; Vi também a Vitória de Samotrácia, os Nenúfares e a Coroação de Napoleão, em Paris. Subi ao ponto mais alto de Portugal, na ilha do Pico; Convivi de perto com macacos, em Gibraltar; Acedi a pé ao Mont Saint Michel devido à maré baixa, na Normandia. Percorri os jardins do castelo de Chambord de bicicleta. Vi a Tower Bridge aberta, em Londres - sinal de sorte! Acedi às grutas dos lobos marinhos em canoa, na Madeira. Esquiei montanhas a baixo, em Andorra. Dancei na galeria dos espelhos com a minha mãe, em Versalhes. Subi à Lagoa do Fogo. Alcancei o Pico Ruivo, ponto mais alto da ilha da Madeira. Segurei a torre de Pisa com a minha própria mão. Patinei num ringue do tamanho de um campo de futebol, na Hungria. Percorri os jardins do Monet, em Giverny. Empurrei o meu carrinho na plataforma 9 ¾, em King's Cross. Enviei postais a partir do Peter's Café Sport, no Faial. Fiz mergulho, nas Berlengas. Vivi com uma família húngara, em Budapeste; Subi ao topo da cúpula de Santa Maria del Fiore, em Florença. Fiz doze quilómetros à beira de um precipício, na Rua del Cares, nos Picos da Europa. Assisti a uma sessão no Parlamento Europeu, em Bruxelas. Escutei Mozart e comi apple studdel, em Viena. Estive dezoito horas dentro de um barco, no alto Atlântico. Fui à Disneyland, em Paris; Deslumbrei-me com as relíquias da arquitectura árabe, em Granada; Participei num shabbat shalom - uma missa na religião judaica - em Budapeste.


Inspirado na publicação da Andreia Moita e da Inês

AMOR | "Vocês Aceitam o Vosso Namorado tal Como Ele é?"

   "Sim!" Foi a minha resposta instantânea a esta questão colocada por um seminarista da nossa idade numa das palestras a que assisti há uns tempos, em âmbito escutista. Não reflecti muito e a resposta foi rápida, afinal de contas respeito e compreendo as escolhas, ideias e hábitos dele por muito diferentes que sejam das minhas. Porém, com alguma conversa e com o decorrer da palestra percebi que não foi neste sentido que ele fez a questão que, apesar de parecer directa, tinha rasteira. Óbvio que temos que aprender a viver com as manias e valores intrínsecos neles mas não era neste sentido que o seminarista se referia.

   Quando amamos alguém temos sempre vontade de torná-los cada vez mais a melhor versão deles mesmos. Temos de exigir mudança, e eles a nós. Acredito que uma relação é uma mistura de diversos ingredientes e um deles é a complementaridade. Ele tem características e dons que eu não tenho e vice-versa e deste modo completamo-nos, ajudamos, crescemos, amamos. Porque acredito que se não impulsionarmos ao outro a ser cada vez mais e melhor, a crescer e a descobrir-se, não é amor. Por essa razão repensei a minha pergunta àquele desafiante "vocês aceitam o vosso namorado tal como ele é?". Não. Porque acredito que no amor não somos simples linhas rectas mas que devemos transformar-nos em funções exponenciais com ajuda e partilha mútua e acredito que temos de puxar sempre pelo outro para se tornar numa melhor pessoa, num melhor filho, irmão, neto, num melhor namorado, num melhor cidadão do mundo. Não. Porque não quero que ele seja como é, quero que ele se supere e seja a cada dia um bocadinho mais incrível, em todas as facetas e situações do quotidiano. Querer isto é amor.


AMIZADE | Três Jogos para o Isolamento Social

   Em dias de isolamento social, foi tempo de redescobrir os jogos multi-player e de tirarmos proveito deles. Foi assim que consegui estar mais perto das minhas pessoas de forma lúdica e com o objectivo de passarmos o tempo, desenvolvermos o nosso lado mais competitivo, nos rirmos um bocadinho e de, mesmo à distância, nos sentirmos mais perto uns dos outros, mesmo que não estejamos. Por essa razão, trago-vos três jogos para partilharem com as vossas pessoas que não moram nos mesmo metros quadrados que vocês. Estes têm sido a alegria das minhas noites!

House Party | Este jogo não é novo mas aparentemente foi redescoberto recentemente! É uma aplicação disponível tanto para iOS como para Android em que o objectivo é muito simples, adicionam os vossos amigos, começam um room, ou seja uma sala de video-chamada e tanto podem ficar assim como jogar a um jogo todos juntos! Não dá para muita gente mas as jogadas de Head's Up, Trivia - com diversos temas - Chips and Guac - uma espécie de Cards Against Humanity e ainda Quick Draw - um género de Pictionary têm sido marcantes! Tem sido o ponto de encontro dos meus amigos dos escuteiros e temo-nos divertido imenso por lá! Turn off: envia imensas notificações, super complicado de desligar e não dá para muita gente - penso que o máximo é 7 pessoas por room.

Cartas Contra Tugas | Conhecem o conceito de Cards Against Humanity, certo? O Cartas Contra Tugas surge nessa mesma linha de pensamento mas um bocadinho mais... obsceno e indelicado.. digamos! A minha combinação predilecta é este jogo online enquanto realizo video-chamada com quem joga comigo. Dá para umas boas gargalhadas e desafia-nos a dar as respostas mais parvas mas também as mais engraçadas. É um jogo sem filtros, mesmo! Turn off: o servidor é zero estético e não tem capacidade para muita gente, é preciso sorte para o conseguir fazer sem ir a baixo! Podem aceder aqui!

Stopots | Quem não gosta de um bom jogo do Stop? Eu adooooro! A partir deste site, podem jogar com os vossos amigos em salas fechadas em que só entra quem souber o código. É um jogo do Stop normalíssimo mas com tempo limite e onde podem incluir as categorias que vos fizerem sentido, o divertido reside na invenção, também! Para além das comuns categorias "Animais" ou "Cidades", inventamos categorias como "Partes do Corpo Humano", "A Minha Sogra É" - para o qual tento sempre arranjar um bom adjectivo mas há sempre quem não o faça - ou até uma categoria ultra multifacetada virada para os "Escuteiros" - que tem sido de chorar a rir! O site faz as pontuações automáticas e só conta se todos validarem, se achares que a resposta de alguém não está correta podes não validar e assim não conta para o global do jogo. Este tem sido o meu preferido e em junção com video-chamada tem dado aso as grandes gargalhadas e a bons serões! Podem aceder aqui!

fonte

BRUXELAS, BÉLGICA | Vitalgaufre

   A Vitalgaufre localiza-se na Rue Neuve, a Oxford Street lá do sítio, e cativa pelo cheirinho maravilhoso que deixa pela avenida. Foi lá que provámos a tão badalada iguaria belga: as gaufres, ou como são globalmente conhecidas, as waffles. Tenho-vos a dizer que foram as melhores que já experimentei. Douradas, quentes, crocantes e melhor que tudo, deliciosas. Custam entre dois a três euros e são verdadeiramente de comer e chorar por mais, quem me dera poder ter aqui um pacotão enorme e recheado..!

   Podem escolher saborear a vossa waffle simples - que é maravilhosa! - ou com vários extras. Experimentei a waffle com massa de bolacha speculoos e a com recheio de framboesa e apesar de ter adorado ambas, a de speculoos leva a taça e o meu coração! Com a típica opção de chocolate podem pedir para a vossa waffle vir recheada por dentro, o que é maravilhoso, também! Estas foram as únicas waffles que experimentámos, não tivemos coragem de ir a outros locais por medo de não serem tão boas quanto estas mas digo-vos, se há algo que não vos vai faltar na Bélgica são waffles! Aproveitem-nas imenso, saboreiem, experimentem. Digo com saudade que não há waffles como as belgas, mesmo!


SÉRIES | Cheer

   "Leonor, tens de ver esta série, vais adorar!" - foi assim que conheci Cheer, um documentário Netflix que estreou em Janeiro deste ano. A premissa é simples, acompanha os multi-campeões nacionais de cheerleading universitário, pertencentes à Navarro College, no Texas,  durante mais um ano de preparação até à próxima grande competição em Daytona Beach. Há pressão, uma reputação a manter e, literalmente, demasiado sangue, suor e lágrimas.

   Recomendaram-me porque sabiam que eu me ia identificar com muitos momentos: as lesões, a exaustão, a abdicação em prol da paixão, a insatisfação mas também o esforço colectivo e a sensação familiar do grupo. Sempre vivi muito perto disto. Este documentário, que tem seis episódios e se vê num ápice, desconstrói o estereótipo de cheerleader. São mais do que pompons, futilidade e glamour, aborda temas como os problemas familiares, traumas, insucesso escolar ou até excesso de peso e não corresponder ao "típico". Fala tanto do esforço físico e psicológico destes atletas de alta-competição que desafiam as leis da física e os limites do próprio corpo. Todos eles encontraram um lugar seguro para serem quem são no praticável de treino e nos abraços da exigente técnica Mónica Aldama.

   É um documentário que nos faz, verdadeiramente, vibrar. Eu sofri com eles, eu fiquei nervosa por eles ao ponto de suar e tremer. Baseia-se numa vida de dedicação plena à competição de Daytona, de uma reputação e um título a manter e a uma verdadeira família. Desconstruiu muitos dos estereótipos que tinha quanto ao cheerleading - que aqui passa muito mais pela ginástica pura e dura e pelo seu perigo do que pelas típicas claques desportivas. Envolve, chateia, prende. É assim que classifico Cheer. Pode ser algo comum para os outros mas eu senti este documentário na pele. 


1+3 | Querida Nonô

   Para este desafio do projecto 1+3, decidi escrever à pequena Leonor de dez anos. Os meus quinze foram há três anos, os cinco já vão lá longe. Senti que os 10 seriam a idade ideal, principalmente porque era uma miúda muito insegura e porque aí ainda não escrevia. Tinha uma idade muito frágil e sei que o meu eu pequenino de dez anos adoraria ter algumas certezas para tantas dúvidas.

O Esforço Compensa. Sempre. | Vais ver isto muito no ensino  secundário e será uma lição para a vida. Vais meter na cabeça que se não entrares naquilo que queres, que não seja por não te teres esforçado. Dares tudo de ti em prol de um objectivo é algo de louvar, gerir tempo, prioridades e saber ser auto exigente é complicado mas recompensa. Não vais seguir Medicina nem Desporto mas garanto-te que vais entrar em algo que te apaixona, vai ser no limite mas vais conseguir!

Sonha Alto | Vives com a cabeça na lua e só pensas em objectivos para quando fores crescida. Visualiza-os e mantém-nos nos teus planos a longo prazo. Por aquilo que ambicionas, tu dás este mundo e o outro para o concretizar. Sim, vais fazer intercâmbio. Sim, vais ver alguns dos teus artistas preferidos ao vivo. Sim, vais a uma Gymnaestrada Mundial. Nunca percas esse bichinho dos sonhos, que não é nada mais do que uma bússola para a felicidade verdadeira.

O Não é Sempre Garantido | Vais aprender e perceber ao longo dos tempos que não custa tentar, no máximo recebes um "não" e consegues tirar o peso de cima de pelo menos ter tentado. Não vivas na dúvida e na incerteza, pergunta, tenta, faz! Arrisca!

Vais Amar e Ser Amada | Sim, as pessoas vão gostar verdadeiramente de ti por aquilo que és e que transmites e não por aquilo que tens, descansa!

O Karma Tarda mas Não Falha | Sei que sofres de bullying. Eu sei. E sei também que não tens coragem para falar acerca disso com ninguém e que o vais guardar contigo durante muitos anos. Sei que gozam  contigo pelo teu aspecto físico, por teres problemas de fala ou por gostares da escola. Sei que te cospem nos pés, te chamam nomes e te excluem. Eu sei. Mas em breve, prometo, tudo mudará. E deixa-me confessar-te, daqui a uns anos enquanto estás num dos cursos mais prestigiados do país, quem te fazia isso nunca passou do segundo ciclo do ensino básico. Quando não estamos bem por dentro tendemos a espelhá-lo nos outros, o karma tarda mas não falha. Um dia vais-te orgulhar de falar à sopinha de massa, de teres pêlos nos braços e de seres como és, não há mal nenhum nisso, prometo.

Regista Tuditudo | Sei que adoras escrever, que é a tua parte preferida das aulas, nunca pares de o fazer. Tornar-se-á num escape, num hobbie e muito provavelmente numa ferramenta de trabalho. Reconheço que adoras invadir as fotografias de todos com poses parvas, um dia vais ser tu a pegar naquela máquina para a qual tanto pouparás e vais-te apaixonar pela fotografia e pelo vídeo. Regista tudo o que puderes, um dia serão as memórias mais bonitas que terás!

Desfruta das Tuas Pessoas | Nonô, eu sei que o avô está frágil mas abraça-o com força e olha-o naqueles olhos azuis incríveis que não herdaste e diz-lhe o quanto gostas dele. Aproveita também os teus amigos de infância com quem passas o verão, são alturas que nunca voltarão e momentos que te vão sempre marcar. 

As Dificuldades São o Sal da Vida | vais compreender que cada momento mau é uma lição que precisavas de aprender. Se olhares para tudo com estes olhos é muito mais fácil encarar tudo e viver de forma plena. Uma vida fácil não teria graça nenhuma, são os momentos difíceis e a sua superação que a temperam, vidas insossas não têm graça nenhuma, isso te garanto!

BRUXELAS, BÉLGICA | Manneken Pis, Jeanneken Pis e Het Zinneke

   Ora, pois então! O que seria de um guia da capital belga sem a tão emblemática estátua que urina, o Manneken Pis, e os seus sucessores menos conhecidos, a Jeanneken Pis e o Het Zinneke - respectivamente a menina e o cão. São atracções gratuitas, muito rápidas de ver e todas bastante perto do centro da cidade.

   O Manneken Pis é uma estátua de bronze bem pequenina e é fornecida por água. Desconhece-se a sua origem e por essa razão há diversas lendas que falam sobre a sua criação. A sua primeira menção consta em documentos do século XV e durante os séculos seguintes viveu as mais variadas aventuras. Passou por bombardeamentos, diversos furtos, chegou até a ficar despedaçada e irreconhecível. Foi, assim, substituída por uma igual que foi, também, vítima de furtos e numa das vezes foi encontrada por mergulhadores no canal de Bruxelas após uma chamada anónima. Esta última encontra-se no Museu da Cidade, já restaurada dado que também foi partida, e o monumento que hoje se observa é outra réplica. A Jeanneken Pis é a versão feminina da primeira referida e foi esculpida nos anos 80, o Het Zinneke é a versão canina e foi uma paródia realizada no fim dos anos 90.

   O Manneken Pis é mesmo o símbolo da cidade, a criança que urina está em cada canto e não há como não achar piada a a algo tão diferente! Há um museu que podem visitar com todos os seus trajes típicos - sim! os belgas mascaram-no segundo as datas importantes. Em "momentos de alegria nacional", segundo li, a estátua urina cerveja! É todo um culto à volta do pequeno rapazinho! Visitar Bruxelas e não passar pelo Manneken Pis é como ir a Roma e não ver o papa!


 
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