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ERASMUS | 6 Dicas para 6 Meses de Bagagem

Está quase na hora de partida da próxima geração Erasmus - e de tantos outros estudantes e trabalhadores que partem para outras bandas. Partir significa dar os últimos abraços e os últimos momentos antes de uma grande aventura mas também que há toda uma vida para colocar no interior de malas e mochilas. Há muitas situações a prever e a avaliar consoante a necessidade material que poderá existir, e é sobre isso que vos venho falar hoje. Juntei seis dicas que me foram imensamente úteis quando tive de empacotar a minha vida para partir e espero que vos sejam muito úteis.

LEVAR OU COMPRAR? | É importante delinear o que se leva e o que se pode comprar lá, para não encher as malas de artigos "supérfluos". Faz sentido levar produtos de higiene em full size que podes perfeitamente comprar lá? Talvez não. É equacionar e deliberar, por exemplo, fez me sentido comprar lá cadernos para estudar, mas levei o meu estojo e restante material escolar de cá.

ESTAR PREPARADO PARA TUDO | Quando fiz a minha checklist delineei cenários vários com os quais me ia certamente cruzar: o dia-a-dia, o conforto/descanso, a festa, as viagens. A partir destas temáticas comecei a construir uma mala que seria versátil o suficiente para todas as ocasiões: tops e uma mala mais pequenas para sair, uns bons sapatos de caminhada para as viagens ou uma mochila em específico, roupa térmica para o dia-a-dia. É importante também perceber que transições de estação vamos apanhar e perceber se vai haver muita chuva/neve/frio. Digo sempre também para levarem um fato de banho, mesmo no inverno há termas e saunas e podem fazer parte de um plano giro.

KIT SOS | Estamos por nossa conta, e para mim fez-me todo o sentido levar um kit de primeiros socorros completo para me auxiliar nas maleitas mais básicas e comuns. Levei medicamentos variados para todo o tipo de casos, pensos vários, soro, compressas e adesivo - a pensar nas minhas bolhas -, pomadas variadas para queimaduras, picadas e feridas. Safei-me de alguns acontecimentos e safei outras pessoas porque estava sempre preparada. 

€€€ | Em termos monetários, o ideal é perceberem se pagam taxas com o vosso cartão no estrangeiro. Eu decidi obter um cartão Revolut e foi a melhor escolha que podia ter feito. Para além de colocar lá a quantia que queria e desse para controlar os gastos na app, também facilitava a transação de dinheiro com colegas estrangeiros - tal como fazemos com o MBway cá. 

COMO EM CASA | Estar longe de casa custa e, a pensar nisto, algo que tive em atenção foi levar artigos que me fizessem sentir em casa, sejam as nossas pantufas, a nossa almofada ou a nossa escova de dentes elétrica. Faz toda a diferença. Sentir-nos em casa pode também ser levar artigos e fotografias para por no quarto, tornando um lugar tão estranho num sítio mais nosso.

DOCUMENTOS | Em Erasmus, pelo menos, os documentos e contratos são mais que muitos. Decidi levar tudo em papel e em formato digital gravado em vários sítios. Levei o meu Contrato Erasmus, Codice Fiscale, Learning Agreement, Contrato da Residência, Certificado de Vacinação e ainda cópias impressas do cartão de cidadão e do cartão europeu de saúde. Levei ainda fotografias tipo passe impressas, dão sempre jeito! 

ERASMUS | O Fim

        E é de Lisboa que vos escrevo. Voltei há uns dias e encerrei assim este capítulo, mais cedo que o suposto mas na altura certa para mim. Os meus meses em Pádua foram de um crescimento e de uma aprendizagem constante, onde fazíamos dos infortúnios razão para nos unirmos, onde os planos surgiam e aconteciam em segundos e onde fui (e fomos) indubitavelmente muito felizes. Recordo-me que sempre quis fazer erasmus, provavelmente desde que fui para a Hungria, em 2017, o bichinho surgiu em mim. E se há algo de que me orgulho é de carregar tantos sonhos e de lutar para os fazer acontecer. Trabalhei, poupei, estive em reuniões e em infinitas papeladas. Pádua foi casa e será para sempre um bocadinho minha, também.

        Pádua foi aprender italiano por assimilação - se ao início era a única da turma que não ser ria das piadas do professor por não perceber a língua, no final já fazia parte do coro gargalhante -, foi andar de bicicleta pelas infinitas arcadas e pelo pavimento do centro histórico que fazia doer o rabo. Foi pisar história, em cada canto, enquanto eu escrevia a minha no meu journal azul-andorinha e ouvia Taylor nos phones. Foi sentir que era família de tantas pessoas bonitas - a Mafalda, a Ana, a Eszti, a Kika, a Raquel, a Dani e a Bárbara. Foi viver com a Maria e chamar à nossa cozinha de "Tratado de Tordesilhas" - metade espanhol, metade português - foram as festas e as saídas, os jantares em casa da Ana e as study sessions. Foram métodos de ensino e de avaliação novos - que adorei conhecer e que senti que me valorizaram enquanto estudante -, numa universidade antiga mas em polos deveras modernos. Foi a bonita solitude, o Santo António por todo o lado, a música por cada canto, a arte, os graffitis, a imersão na cultura e na vida quotidiana.

        Foram as aventuras e as viagens dentro de Itália - Veneza, Pádua, Murano, Burano, Dolomitas, Florença, Roma, Assis, Bolonha, Verona, Bassano del Grappa, Ferrara, Garda, e todas aquelas que ficaram por fazer. Foram todas as esplendorosas obras de arte que tive o privilégio de observar, todos s detalhes históricos que aprendi, a comida maravilhosa que tive a oportunidade de provar e que aprendi a cozinhar. Foi a neve infinita das montanhas, o frio veneziano e os passeio à beira dos canais.

        Nem tudo foi bom e fácil mas tudo isso também faz parte da história, as carteiras roubadas, a solidão, as saudades. No entanto, havia algo que nunca falhava: as pessoas que se tornaram casa e que tinham sempre um abraço de consolo e a genica certa para resolver qualquer problema. Em Pádua aprendi a gostar de café, viajei sozinha, a minha pizza preferida passou a ser a margherita e o aperol spritz substituiu a imperial. Pádua foi chorar de felicidade inúmeras vezes, foi jantar à luz do exaustor e levar almôndegas do IKEA para todo o lado. Foram os finalistas com a sua coroa de louro a entoar "Dottore, dottore!" pela rua. Pádua foi fazer sopa semanalmente, foi pensar em três línguas, patinar no gelo, comer gelato com temperaturas negativas. Foram aperitivos e aprender a dizer mais vezes "sim!". 

        Saí de Pádua de lágrimas nos olhos, carregada dos meu pertences e do peso que esta aventura teve em mim. Saí de Pádua com sensação de missão cumprida, com uma boa dose de humildade, desenrascanço e de "para a frente é que é caminho!". Foi bonito, foi marcante e foi tão rápido. Não há parágrafos suficientes que consigam que explicitar o que foi esta vida paralela que vivi, tão robusta, tão deslumbrante. Volto cheia de mundo, inspirada e cheia de vontade de fazer acontecer. Se tiverem oportunidade, vão, façam, vivam. É de outro mundo. Ci vediamo, mi manca già.

ERASMUS | 5 Coisas Incríveis, 3 Coisas Não-Tão-Incríveis

         Como em tudo na vida, há sempre virtudes e fraquezas, esta etapa e aventura não é exceção. Por isso, e também para memória futura, decidi listar algumas das adversidades que tenho encontrado no meu dia-a-dia mas também de tudo aquilo que me faz sentir imensamente grata todos os dias.

ASPECTOS INCRÍVEIS

A CIDADE | Uma das minhas maiores surpresas, não tinham noção que ia gostar tanto de Pádua como tenho gostado. Adoro viver aqui. Para além de ser uma cidade de estudantes, é muito pequena - em vinte minutos meto-me na outra ponta da cidade de bicicleta -, há sempre imensas coisas para fazer e não é overwhelming como uma qualquer capital europeia. Tem a calma que eu preciso mas também o alvoroço que me enche as medidas. É perto de imensos sítios estupendos - meia hora de Veneza, uma hora de Verona e Bolonha. É uma cidade que transpira história e, apesar de não ser a cidade italiana mais bonita que existe, é fascinante e acredito que acertei em cheio.

A BICILETA | Pádua ou se faz a pé ou de bicicleta, os carros só andam fora do centro histórico e eu tenho adorado percorrer as arcadas da cidade em duas rodas. O sentimento de liberdade e de não ter de esperar por transportes é estupenda e toda a cidade está adaptada para tal. Até já pensei levar este hábito para lisboa porem a) existe o obstáculo rio tejo b) existem as colinas lisboetas. Só tem um lado mau: passo muito frio.

IMERSÃO NUMA CULTURA DIFERENTE | que é tão diferente de viajar durante um curto período de tempo. Começamos a perceber os hábitos, as formas de falar e de expressar. Somos inundados pelas suas tradições e por coisas que para eles são tão banais mas que para nós são novidade. É uma experiência extraordinária perceber como culturas tão parecidas mas ao mesmo tempo tão diferentes fazem o seu quotidiano, se comportam e experienciam a realidade. É uma assimilação estupenda, tal como tem acontecido pela língua italiana. Tenho aprendido por assimilação e tem sido muito interessante e divertido.

VIAGENS | Quem seria eu..! Tenho viajado muito - o que não quer dizer que não estude e que não vá às aulas - e tem sido das coisas mais brutais desta aventura. A facilidade de deslocação, a predisposição de toda a gente para a aventura e para ideias malucas faz com que as viagens sejam uma constante. Tem sido deslumbrante desbravar Itália, conhecer tantas regiões e pontos diferentes, enfim, viver um sonho.

AUTONOMIA E RESPONSABILIDADE | Nunca tinha vivido sozinha antes e não dividir lidas domésticas com a família foi estranhamente mais simples do que esperava. Tenho adorado a responsabilidade que viver sozinha implica, tenho adorado planear refeições, gerir dinheiros e overall tomar conta de mim. A transição foi muito natural e tenho adorado o "não ter de dar justificações", ter os meus timings e fazer tudo à minha maneira. Além disso, sinto-me muito mais auto-confiante.


ASPECTOS NÃO TÃO INCRÍVEIS

AS SAUDADES | Simples assim, nunca estive tanto tempo longe da minha família e custa, mesmo com chamadas telefónicas e em vídeo. Por vezes precisamos só de um abracinho ou de um prato de comida da mãe. Sinto falta dos amigos de sempre, do meu namorado, do meu cão e pior, são vocais no quanto sentem a minha falta. Aí sim, custa. Faz parte e já sabia que seria assim, mas não deixa de ser difícil.

FOMO | anexado às saudades vem o fear of missing out. Estou a viver uma realidade paralela, o que deixei lá continua a acontecer sem mim, tal como deve ser. Mas sinto que estou a perder imensos acontecimentos, fases e etapas mas faz parte, sinto-me imensamente grata por estar aqui e já sabia que seria assim. Mas não posso negar que custa perder os últimos apadrinhamentos, o primeiro espetáculo depois das quarentenas, as promessas dos miúdos, o regresso dos churrascos e dos jantares de curso, a apanha das castanhas na aldeia da minha avó, entre tantos outros. Porém sei que o Erasmus é finito e que vou sentir falta disto eternamente, tendo obviamente de aproveitar cada segundo e que tudo o resto há de voltar.

BUROCRACIA | Sinto que TUDO, até uma simples ida à biblioteca da faculdade é uma confusão e imensidão de processos, registos, scans, papelada, entre outros. É muito chato e já percebi que é cultural e generalizado em Itália. Não é um downside tão "forte" como os outros mas sei dúvida que é aborrecido e escusado.

VENEZA, ITÁLIA | Gôndolas, Canais e Recantos de Cortar a Respiração

        Digo-vos, sempre achei que Veneza seria extremamente overrated por ser demasiado turística, demasiado falada e demasiado conhecida e tenho a dizer que Veneza me surpreendeu em todos os aspectos. Estava à espera de achar bonito mas não esperava ficar absolutamente de queixo caído. Veneza é tudo aquilo que falam e muito mais, é de loucos.

        Antes de tudo, é um privilégio viver a meia hora de Veneza, mas também é muito simples de lá chegar através de comboio até Santa Lucía de várias partes de Itália. Disseram-me que é brutal o "abrir de portas" da estação para a rua porque os canais, as gôndolas e os edifícios bonitos começam logo ali. Para o centro podem apanhar um taxi boat (cerca de 7€) ou andar vinte minutos.



        Veneza é uma cidade para andar, explorar as ruelas, atravessar todas as pontes possíveis e deslumbrar-nos a cada recanto, deixo-vos então os lugares que visitei:

Ponte Rialto, da Academia e dos Suspiros

        Onde se encontram as vistas mais bonitas para os canais. Já que estes últimos são estradas, cada ponte é como uma passadeira, são imensas e estão por todo o lado! A ponte Rialto, a Ponte da Academia e a Ponte dos Suspiros são as mais conhecidas, seja por serem lindíssimas, por terem uma história incrível ou por deterem a vista mais fotografada da cidade. 





Praça de São Marcos

        Com todo o seu esplendor e sem nos dar-mos conta, pisamos a Praça de São Marcos. Boquiaberta tive de me sentar perante a imensidão e a brutalidade do local. É a zona mais baixa da cidade e poderão visitar a Basílica de São Marcos - que terão de comprar bilhetes -, eu consegui ter um vislumbre de uma das laterais dado que há uma porta aberta para quem vai orar. Podem também visitar o campanário e o Palácio Ducal, já ali. Paga-se tudo e creio que é melhor marcar online. É um local com muita gente, sendo um dos ex-líbris de Veneza, se quiserem visitar algo, requisitem com tempo.


Libreria Acqua Alta

        Um local que descobri no Instagram: uma livraria com uma escadaria feita de livros que nos leva a uma vista bonita para um canal. Podem ver aqui o que vos falo, as minhas fotografias não fazem jus. É uma livraria walk-in e pode ter fila mas é sempre a andar. Fui num dia com muita gente e não consegui explorar como gostaria. São pilhas e pilhas de livros tanto em estante como dentro de gôndolas e barquinhos no interior. Além disso, este local é casa para vários gatinhos. Deveras bonito e encantador, para voltar num dia mais calmo.




Basilica de Santa Maria della Salute

Protagonista de muitas fotografias do outro lado do Grande Canal, decidimos explorar esta igreja circular. Tem algumas pinturas e esculturas bonitas mas, honestamente, é mais bela por fora.



Igreja de são vidal

Aqueles locais que entramos por acaso e ficamos deliciados. É um sítio onde existem variados concertos de música clássica e até uma exposição de instrumentos de cordas antigos feitos à mão. A entrada (sem concerto) é gratuita e fica ao virar da esquina da Ponte da Academia.



Para uma próxima adoraria visitar Murano e Burano, ir à Galeria da Academia de Belas Artes, o Palácio Ducal e o Fondaco dei Tedeschi.

Podem também visitar as inúmera lojas de máscaras tão características do Carnaval Veneziano e ainda deslumbrarem-se com as pequenas galerias de arte local que encontram por toda a cidade. Porém, por muito que vos diga que itinerário fazer, não há nada - repito, nada - como perdermo-nos nas ruas, ver as gôndolas a rasgar os canais, perceber como funciona uma cidade sem carros e aproveitar cada recanto mágico. Veneza foi muito mais do que aquilo que pedi, foi fascinante.

PÁDUA, ITÁLIA | Palazzo Bo

         O Palazzo Bo é a sede da Universitá Degli Studi di Padova - que estou a frequentar - fundada há 800 anos é um dos ex-líbris da cidade e um local facílimo de aceder através do centro. Somente se pode visitar numa visita guiada que tem de ser marcada via e-mail, podendo ser em inglês ou em italiano, dependendo do horário.

        Cada visita guiada dura em torno de uma hora e engloba vinte cinco pessoas. É contada a história da fundação da universidade de como uma fação da universidade de Bologna se quis separar e buscar novos horizontes e ideias, sendo Direito, Medicina e Teologia as primeiras faculdades a serem fundadas. É-nos contada a história de todos os brasões armas que se destacam nas paredes exteriores e somos levados até à Aula Magna onde vemos o pódio onde Galileu deu aulas e várias pinturas de antigos professores e alunos - entre eles o português Damião de Góis. Por fim, somos levados ao Teatro Anatómico, o mais antigo conservado na Europa, remonta ao século XV! Onde existiam as aulas de anatomia com corpos reais. Por fim, é-nos contada a história da primeira mulher do mundo a ter uma educação superior, Elena Cornaro Psicopia.

        Achava que ia visitar mais locais da universidade e não somente duas salas mas gostei muito do que visitei e daquilo que aprendi sobre o estabelecimento onde estudo. Aliás recordou-me que piso a mesma calçada que Galileu, Copérnico ou até Harvey pisaram. A história fascina-me e entusiasma-me fazer parte da história de uma universidade que fez tanto pela humanidade e pelo ensino nos último oitocentos anos, é de loucos. Tive a sorte de visitar o Palazzo em dia de graduation e de ver imensos alunos com os seus diplomas a tirar fotografias com a sua coroa de louro e a sua família entoando o típido "Dottori, dottori!". Recomendo muito que visitem se vierem a Pádua, vale a pena!



VERONA, ITÁLIA | Nos Passos de Shakespeare

        Na semana passada fui numa visita guiada à cidade italiana de Verona através da Erasmus Student Network Padova. A viagem de comboio durou cerca de uma hora até Verona Porta Nuova e foram em torno de vinte minutos a andar até ao centro da cidade, que também se pode fazer de autocarro, se preferirem. Uma cidade fortificada que conserva em si, ainda hoje, vários dos resquícios das épocas históricas que atravessou, ficou também deveras conhecida pela tragédia Romeu e Julieta, de Shakespeare.

        Na visita guiada em que fui andámos pelas ruas, levaram-nos aos sítios mais marcantes e contaram-nos várias lendas e histórias passadas na cidade, além disso, fizeram-nos olhar para pormenores que nunca tínhamos notado antes - sabiam que quando observamos o leão da região de Veneto com um livro aberto quer dizer que a cidade foi conquistada de forma pacífica?!


        Não visitei muito sítios em profundidade mas deixo-vos aqueles onde estive e que aconselho vivamente: Arena di Verona, Piazza Brà, Palazzo della Ragione, Duomo, Scaliger Tombs, Piazza dei Signori, Piazza delle Erbe, Ponte Pietra, Castel San Pietro, Castel Vecchio. Os dois últimos foram os meus prediletos. 

        Faltou visitar a Casa de Julieta - devido à fila monstruosa típica de domingo - e tantos outros sítios. Achei uma cidade belíssima e com uma beleza muito particular, inspira história e expira amor. Verona tem promessa de volta.


ERASMUS | Antes de Partir

        Fazer uma mobilidade, seja ela qual for, não é somente entrar no avião e ir, é obviamente algo muito pensado, deveras burocrático e que nos toma algum tempo. Este meu segundo processo de Erasmus dura desde janeiro, começou com a minha candidatura interna na minha faculdade e há de terminar com o documento de partida e a transcrição das minhas notas e créditos realizados. Nesta publicação falo-vos de tudo o que tem de ser feito até ao momento em que se parte à aventura.

Realizar a Candidatura e Escolher o Destino

        É neste passo que escolhemos o nosso destino e a faculdade que nos irá receber, consoante os acordos realizados pela universidade onde estás. Na minha faculdade, inscrevemo-nos e colocamos as nossas três primeiras opções de universidade e, de seguida, somos seriados através de uma fórmula que tem em conta a nossa média de curso e os créditos já realizados, podendo recorrer à média do secundário para desempatar.

        Para escolher para onde queria ir tive em conta variadíssimos critérios que aconselho a que identifiquem os vossos para ser mais simples de filtrar. Os meus eram não ser um sítio absolutamente isolado e que tivesse boas conexões de transportes, que não fosse uma capital ou cidade demasiado cara e overwhelming, que  a língua fosse "aprendível" e relativamente simples de safar e que soubesse que conseguiria comer bem - leia-se, haver peixe. Além disso, como os cursos de comunicação são tão abrangentes, tive em conta experiências de antigos colegas e tive cuidado de visitar os planos de estudos, nunca faria sentido ir para Bolonha ou para Praga por ser muito mais virado para o Cinema e a Televisão, uma área que não é a minha. Como foi a minha segunda vez a candidatar-me a Erasmus, coloquei como primeira opção aquela onde tinha entrado no ano anterior, simplesmente por já ter facilidade burocrática e já saber como funciona mas também por me agradar imenso. Há quem se guie por rankings internacionais, até!

Learning Agreement

        Após as colocações, o primeiro e um dos passos mais chatos é realizar o nosso acordo de estudos, reunir com coordenadores, enviar trinta e sete e-mails, resolver umas chatices. Nesta fase procuramos Unidades Curriculares na Universidade de destino que equivalham às que teríamos na nossa home university, de modo a ser fiel ao plano de estudos. Claro que cada universidade terá o seu processo, no meu curso, nas cadeiras obrigatórias temos de enviar propostas de unidades com o seu currículo e bibliografia, cadeiras de vertente podem ser qualquer coisa que tenha a ver com aquilo onde nos queremos especializar, e as cadeiras livres permanecem isso mesmo: livres. Após concluir e conseguir 30 ou 36 ECTs, é fazer com que o vosso LA seja assinado por todas as partes - vocês, o vosso coordenador e o coordenador de destino. Este documento poderá ser alterado à chegada por incompatibilidades horárias ou outras questões

Arranjar Casa

        Um assunto imensamente sensível, eu tive dois grandes objetivos: não ser burlada e ainda ir já com teto garantido para lá. Em Itália é típico - e nojento - o quão fácil é envolverem-vos em esquemas, é uma verdadeira loucura. Além disso, a procura é tanta e a oferta tão pouca que é comum ir-se mais cedo para visitar apartamentos. Existem residências da faculdade mas também residências privadas - comumente geridas por congregações religiosas - e imensos sites onde podem procurar (como o Housing Anywhere, Dovevivo ou Uniplaces) ou até em grupos de Facebook. Os preços vão sempre depender do custo de vida local, sei que em Padova ronda os 350€ mas que em Roma facilmente chega aos 600€. Creio que o segredo seja pesquisar com antecedência ou até contactar pessoas que já estudaram na cidade. 

Bolsa

É-nos atribuída uma bolsa da União Europeia para nos ajudar com os custos da mobilidade Erasmus, nem todos temos direito mas quase todos a recebem. O valor depende do tempo de estadia e também do país onde vão concretizar o vosso Erasmus, o valor da bolsa para a Eslováquia não é igual ao valor da bolsa relativo à Finlândia, por exemplo. 70% da mesma é dada à ida e 30% na vinda. Só se pode aceder à bolsa após assinar o Contrato Erasmus.

Outros

Da série de variados, antes de chegar é muito importante obter o Cartão Europeu de Saúde, perceber como funcionam os cartões multibanco e de telemóvel no estrangeiro e ainda ver quando o cartão de cidadão caduca. Acho também importante marcar uma consulta médica e de dentista antes de partir, só para ver se está tudo bem, obter receitas, entre outros.

Muita burocracia e muita coisa para tratar, porém quando está tudo feito é bestial. Se tiverem alguma dúvida, responderei nos comentários!

FACULDADE | Ir de Erasmus

        Passado quase uma semana da minha partida de Portugal, foi preciso uma tempestade, que me cancelou os planos, para me conseguir sentar à secretária e escrever. Redijo-vos esta publicação a partir da cidade italiana de Pádua, onde decidi fazer o meu semestre em Erasmus. A chegada foi deveras emocionante dado que estou neste processo há quase dois anos. A cidade é tudo aquilo que poderia pedir: jovem, repleta de estudantes, walkable, muito fofinha e cheia de história. Não é o típico destino de Erasmus mas não me sinto só com os cerca de sessenta estudantes lusos que cá estão comigo e com tudo o que há de novo aqui.

        Os dias são muito cheios, as aulas em italiano são um desafio assim como viver sozinha pela primeira vez. Há muito para fazer e explorar, muitas ciclovias para percorrer e muita gente para conhecer. Estou muito feliz e imensamente entusiasmada com esta etapa, apesar de todas as saudades que sinto de casa, e estou muito expectante com todos os registos e viagens que irei realizar!

 
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