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VIAGENS | 5 Curiosidades sobre Itália

 FALAR COM AS MÃOS | Sim, é real! E não é só aquele gesto que todos conhecemos. Eles falam com expressões faciais, com as mãos, com o corpo todo. São imensamente expressivos e, honestamente, não dá para envergar a língua italiana sem o ser! Isto acontece por uma simples razão: os dialetos, sotaques e pronúncias são incontáveis. Por isso, se não os compreenderes não te sintas mal, muitas vezes eles também não se entendem entre eles. O falar com as mão ajuda a que alguém do dialeto veneziano compreenda um siciliano, por exemplo. Se não entender, há-se chegar lá de alguma forma. É até algo histórico por todos os povos que por aqui passaram e com quem realizaram comércio.

RECICLAGEM | Este é um tema muito levado a sério por aqui, podes ser multado se não reciclares corretamente. Creio que depende de região para região mas aqui em cada dia da semana recolhe-se um dado contentor do lixo e por vezes a separação e as cores são diferentes. Ouvi também dizer que em Milão podes ser multado por usar o saco do lixo errado, o tema é sério. Se fizer funcionar corretamente, acho excelente, honestamente.

BUROCRACIA | Em tudo. Em todo o lado. E é cultural. Em Portugal também gostamos de muita burocracia mas, meu senhores, os italianos só funcionam com burocracia. Ir à biblioteca requisitar um livro? complexo. Inscrever num exame da faculdade? complicado. Se vierem para cá, boa sorte!

O APERITIVO | Uma parte muito bonita da cultura italiana que podíamos adotar: sair do trabalho e ir beber um copo com os amigos para relaxar. É uma "refeição" que ocorre por volta das 18h e costuma consistir em petiscar e beber algo - por aqui, tende a ser Aperol Spritz. Todos os dias, seja verão ou inverno, há quem vá fazer o seu pequeno aperitivo por essas esplanadas fora. Quebra a rotina casa-trabalho-casa e é um excelente momento de descontração.

CANTAR?! | Já ouviram falar dos gondoleiro que cantam pelos canais venezianos? Bem, são reais mas não são os únicos. Já ouvi condutores de autocarro a cantar, pessoas a andar de bicicleta, ou até o senhor do front-office da minha residência. A plenos pulmões e de forma tão ardente. Em Portugal sinto que temos muita vergonha de cantar em público e, sem dúvida, que o condutor do autocarro a cantar ópera seria no mínimo estranho. Aqui, é só giro quando nos presenteiam com os dotes vocais nas mais variadas facetas do quotidiano.

VATICANO | Fui a Roma e Não Vi o Papa

        Em bons termos, a cidade-estado do Vaticano não é Roma, é simplesmente cercada pela capital italiana! Independente desde 1929, é o "país" mais pequeno do mundo e tem a sua própria bandeira, governo e até um banco! A principal atração é, claro, a Santa Sé não fosse a cidade-estado do Vaticano a sede da Igreja Católica. No dia que reservámos para visitar o Vaticano, roubaram a carteira a uma das minha amigas o que foi um infortúnio, e eu tinha um autocarro para o norte relativamente cedo, o que nos fez ver as principais atrações de forma mais simples e rápida. É um pretexto para regressar!

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Museus do Vaticano

        Os museus do Vaticano são enormes e contam com imensos pedaços de história através dos séculos, dos egípcios aos romanos passando, claro, pelas pinturas renascentistas. É um mundo e um autêntico privilégio de visitar. Lembrou-me muito o Louvre, tanto pelas obras de grande valor e calibre mas também pelas belíssimas salas onde as obras estavam expostas. São inúmeras as estátuas, pinturas e artefactos expostos mas, claro, a atração principal é a Capela Sistina - que é, de facto uma capela e é onde ocorre o Conclave (a decisão de um novo papa) e os Quartos de Rafael. Outro lugar que gostei muito de visitar foi a Galeria dos Mapas - já viram a parede do meu quarto, por acaso?


        É um museu para ver com calma, não o pude fazer, e, tal como no Louvre, convém selecionar previamente que alas gostariam mais de visitar. Os bilhetes são 8€ para estudantes e sugiro que comprem com algumas semanas de antecedência. Recomendo também que vão ou o mais cedo possível ou nos últimos horários, há muita gente e demasiadas tours, com covid senti-me claustrofóbica.


Basílica e Praça de São Pedro

        O ex-líbris do Vaticano, claro está, a Santa Sé. Esta é a praça onde milhares de fiéis se unem em oração, a praça é mais pequena do que esperava mas não deixa de ser majestosa. A Basílica é também imensa, uma absoluta loucura, sendo o maior e mais importante edifício do catolicismo, teve contribuições de artistas como Michaelangelo, Bernini ou até Rafael. Ali entre o Renascimento e o Barroco, é não só uma obra de arte de outro mundo como uma exposição da riqueza e opulência da Igreja Católica. 

        O meu chefe de escuteiros aconselhou-me a fazer isto ao entrar "Vais abordar a Basílica pelo lado direito e sobes umas escadas e entras no hall, andas mais um bocado e passas por uma porta e entras na Basílica em si. Então, façam o seguinte exercício: quando entrarem no hall, admirem os tetos por uns segundos mas depois baixem a cabeça e fixem os olhos no chão. Sempre com os olhos fixos no chão, sem baterem em ninguém, entrem na porta que dá acesso à Basílica. Assim que entram, sempre a olhar para o chão, isto é importante, dirijam-se para o lado esquerdo, ou seja, para o meio da igreja. Deem uns passos e apenas aí levantem a cabeça para contemplar a Basílica." Sem spoilers só se ouviu um triplo "wow", em uníssono. Foi assim que fizemos e aconselho que façam também, o impacto é deslumbrante.

Tive vinte minutos para ver a Basílica toda e as estatuas, as pinturas, a arquitetura são simplesmente soberbas. É um local gratuito de visitar e escolhia os dias em que não há Angelus dominical ou audiência papal - todos os dias menos domingos e quartas-feiras, se o quiserem ver, pesquisem com meses de antecedência para reservar lugar, será nestes dias da semana. Fui a Roma e não vi o papa mas hei de voltar, verdade?

Lições a retirar da visita ao Vaticano

- Ter muito cuidado com os nossos pertences;

- Não marcar viagem de volta relativamente cedo para este dia - guardem um dia inteiro para ver tudo nas calmas.

        Foi um dia atribulado e por ter estado numa situação de muito stress, de polícia, balcões do metro, buscas intermináveis, não consegui desfrutar como gostaria, mas há algo mais importante: apoiarmos as pessoas de quem gostamos em momentos chatos e stressantes e manter-nos unidas na busca por uma solução. É um sitio para regressar com calma, para ver o papa, mandar uma carta, para subir à Cúpula, para explorar os jardins e a biblioteca do Vaticano, para assistir a uma audiência, vaguear pelos museus com calma e apreciar a grandiosidade da Basílica. Podem ir a Roma e não ver o papa mas não vão a Roma e não deem um pulinho pelo Vaticano.

DOLOMITI, ITÁLIA | É Mesmo Real!

         Ir às Dolomiti era um sonho desde há vários anos que me apareceu no feed do instagram. Vidrei com a extraordinária beleza natural e sabia que um dia tinha de lá ir, não sabia muito bem como, mas tinha. Foi com a visita dos meus pais e com o aluguer de um carro que conseguimos desbravar esta parte italiana dos Alpes. As fotografias não mentem, é de cortar a respiração.


        Somente estivemos lá um dia e é uma pequena loucura fazer as Dolomiti num só dia, poderiam passar lá uma semana sem repetir sequer a mesma estrada! Escolhemos pequenos focos do que queríamos ver e fomos andando e vendo o que dava para fazer. A primeira paragem foi em Cortina D'Ampezzo - onde serão os Jogos Olímpicos de Inverno em 2026 - uma estância de neve no Inverno e uma vila muito querida, por sinal. Daí partimos para vários lagos: Misurina, Braies e Dobbiaco. O Lago di Braies é um dos postais das Dolomiti mas foi o Lago di Dobbiaco que nos deliciou, isto por uma simples razão, era o único lago que não estava congelado, o que dava uma perspetiva muito diferente da paisagem, refletindo o belíssimo vale ao fundo.

        A neve abundava e, principalmente no Inverno, é preciso ter muito cuidado e estar atento às mudanças temporais, a montanha pode ser deveras traiçoeira  pode-se tornar perigoso. Adorei visitar um pedacinho das Dolomiti no Inverno, foi absolutamente mágico, vi neve como nunca tinha visto na vida, mas acho que as melhores alturas serão na Primavera e no Outono, aí pelo final de Outubro onde ainda dá para observar os azuis e verdes dos lagos e a colorida paisagem. Os locais para visitar são inúmeros, parece tudo saído da seleção de wallpapers do Windows, e há ainda imenso por descobrir. Os meus pais ficaram abismados, adoraram cada pedaço e já houve promessa de voltar. É quase impossível ir lá ter de transportes públicos, ter um carro é mesmo a melhor opção, ou bicicleta, até! Facilmente está nos meus sítios preferidos do mundo e dificilmente esquecerei tão cedo. Simplesmente wow.


ROMA, ITÁLIA | DIA 2: Da Roma Antiga até Trastevere

        No segundo dia na cidade eterna, demos um twist no guia que me ajudaram a criar, por facilidades de itinerário e sobretudo porque queríamos ver o Coliseu e o Fórum Romano o mais cedo possível para evitar aglomerações excessivas. No segundo dia fomos às profundezas de Roma, explorámos sítios sagrados, construções megalómanas da Antiguidade e ainda fomos surpreendidas por pequenos segredos e surpresas que Roma nos ofereceu. Começamos a nossa caminhada pela Roma Romana?


Coliseu

    Para além dos Museus do Vaticano, o Coliseu e o Fórum Romano foram os únicos sítios que marcámos bilhete para entrar, e tenho de agradecer às minhas amigas por terem guardado estes sítios para visitarem comigo. É um dos marcos mais importantes e, sendo o cartão de visita da cidade, não dava para não passar por lá. Saindo na estação Colosseo, o dito cujo ergue-se logo à saída. A fiscalização dos bilhetes e a fila da segurança foram rápidas - fomos no primeiro horário de um dia de semana de novembro - e, para nos ajudar a compreender o sítio onde estávamos e aquilo que víamos, descarregámos o áudio-guia do Rick Steve, que se revelou uma excelente ajuda nesta tarefa. 

        Os anfiteatros são comuns em Itália e por todo o antigo Império Romano mas este é o mais conhecido, o maior e mais importante. Uma arena construída sobretudo para receber espetáculos de gladiadores mas foi utilizada, também, para inúmeros outros eventos públicos. Erguida por volta do ano 80 d.C., os romanos eram mestres dos arcos perfeitos e fascinantes engenheiros, tonando as suas construções mais funcionais do que belas. Nesta elipse cabiam 50mil espectadores sedentos por observar a morte. Hoje, observamos as passagens subterrâneas debaixo da arena, dado que o chão deixou de existir e a cruz de bronze erguida por João Paulo II no lugar onde o Imperador se sentava. O Coliseu também espelhava a segregação social, cada estado social tinha o seu lugar.

        Principalmente em época alta, acho importante reservar bilhetes com antecedência no entanto aconselhava a visitar as cidades mais importantes de Itália exatamente na época baixa não só para evitar o calor extremo como pelas aglomerações mais reduzidas. Bilhete este que para estudantes tem o custo de 2€ - preço normal, 16€ - com uma só entrada no Fórum Romano e no Coliseu durante 24h. Nós optámos por adquirir o bilhete Full Experience que para estudantes permanece nos 2€ mas normalmente o valor sobe para 22€ - podem visitar o parque durante 48h e ter acesso a sítios exclusivos. Honestamente, se forem estudantes, adquiriria o Full Experience mas não sendo estudantes, não achei os sítios exclusivos valessem mais seis euros. O Coliseu é  Património da Humanidade segundo a UNESCO e uma das Novas Sete Maravilhas do Mundo e vale, sempre, a visita.


Fórum Romano

        Incluído no bilhete anteriormente descrito, o Fórum Romano foi dos sítios que mais gostei e que mais me surpreendeu em Roma. O Fórum foi o centro da Roma Antiga - a capital política, religiosa e social do mundo na altura. Era aqui que se tratavam dos assuntos públicos, cerimónias ou até eleições.

        Podemos observar o Arco de Titus na entrada, percorrer a Via Sacra, ver o Templo de Rómulo, o Templo de Vesta, a Colina Palatina, o Palácio da Justiça, a Cúria ou até o Templo de Saturno. Foi um local que atravessou a mudança do politeísmo para o monoteísmo, da Roma Antiga, à Imperial até chegar aos dias de hoje, enquanto museu a céu aberto. A sua imensidão não em termos espaciais mas sim em termos de edifícios e de restos arquitetónicos foi aquilo que me fascinou. Apreciar pormenores, capitéis e ir a fundo na história fez me apaixonar por este lugar.



Circo Massimo 

        Não muito longe do Coliseu encontramos o Circo Massimo, o estádio onde ocorriam as corridas e jogos romanos, normalmente no contexto de celebrações religiosas. Hoje em dia é um parque público e palco de celebrações futebolísticas e manifestações. Não achei o local nada de especial, podem pagar para ter acesso a um espaço pequeno de reconstituição e vestígios arqueológicos, mas para mim não valia o preço. 


Buco della Serratura dell'Ordine di Malta

        Este foi o local que me recomendaram visitar primeiro - as dicas vieram de um fotógrafo e, claramente, ele conhecia a melhor luz para fotografar o local. A fechadura da Ordem de Malta é uma curiosidade e um dos "segredos" de Roma. É uma fechadura de um portão que, ao espreitar, as sebes do jardim se alinham na perfeição com a cúpula da Basílica de São Pedro. Visitámos por volta da hora de almoço e, mesmo tendo conseguido tirar a fotografia que queria, já se notava que a luza não era  melhor. Mesmo já não sendo "tão segredo assim", é giro de descobrir estes locais insólitos.


Basílica de Santa Sabina

        A mais antiga basílica romana ainda em utilização, localiza-se mesmo ao lado da fechadura da Ordem de Malta e detém vista para o rio Tibre. Construída no século V, pode passar despercebida por quem passa mas vale a pena dar uma volta no seu interior. Spoiler: não tem nada a ver com nenhuma das igrejas barrocas que vos falei na publicação anterior. É completamente diferente.



San Francesco a Ripa

        O segredo mais bem guardado de Roma. Esta é uma igreja em Trastevere que, somente entrando, não nos diz grande coisa mas here's the trick: no lado esquerdo do altar existe uma porta, procurem o padre franciscano e peçam-lhe para subir à capela secreta onde São Francisco de Assis pernoitou. Este foi um segredo de Roma partilhado pela Catarina Barreiros no seu Instagram, descrevendo-o como "uma magia de engenho na forma de reliquiário secreto, ao lado da almofada de pedra". Religiosos ou não, a surpresa inunda qualquer um. Não mostro fotografias porque é daquelas coisas que se tem de viver. Dos meus sítios absolutamente preferidos em Roma.

    

    Terminámos o nosso dia à beira do Tibre e não conseguimos visitar Trastevere como queríamos - que, segundo contam, uma espécie de Bairro Alto de Roma, um bom sítio para copos e para jantar fora. Não tive tempo para visitar mas ficou por ver a Basílica de Santa Cecília e Santa Maria in Trastevere, para além de me perder pelas ruas desta zona da capital italiana.

ROMA, ITÁLIA | Dia 1: O Panteão, a Fontana e as Igrejas

        O meu roteiro de Roma foi feito com ajuda de um chefe meu que é doutorado em Roma de tantas vezes que já lá esteve! Neste dia visitámos o coração da capital italiana, que é algo que adoro fazer logo no primeiro dia que visito uma cidade. Para fazer este roteiro, somente precisam de ir de transportes até à zona do Coliseu e do Vittorio Emanuele II, de resto, dá para andar a pé o dia todo, para ver muitas coisas brutais e aproveitar o melhor que a cidade tem para oferecer. Começamos?

Igreja Santo Inácio de Loyola

Uma igreja barroca para apreciar cada pormenor. Por fora nem parece mas no seu interior é de cortar a respiração, foi das minha preferidas. Proveniente do século XVII e localizada no Campo Marzio, é dedicada ao fundador da Companhia de Jesus.

Igreja Sant'Andrea della Vale

Aqui, emocionei-me com a beleza. De fachada renascentista mas interior barroco, foi das igrejas mais impressionantes que visitei. Uma cúpula lindíssima e frescos detalhados que nos fazem cair o queixo facilmente

Panteão

Proveniente do século II, outrora um templo  e hoje uma igreja, o Panteão é um dos ex-líbris de Roma. É dos mais antigos e o que mais resistiu aos tempos e que, ainda hoje, é utilizado. Foi um local que atravessou eras, da  medieval até à modernidade, tendo sido palco de inúmeros eventos históricos.  A sua impressionante cúpula não reforçada e o óculo - que aproximava, para os crentes, o céu da terra - são massivos e impressionantes. É uma verdadeira obra de engenharia, que impressiona e que, ainda hoje, inspira muitos. A visita é rápida e gratuita.


Igreja São Luís dos Franceses

Maneirista e do século XVI, é uma igreja construída para a comunidade francesa residente em Roma. As pinturas, o tetos, as capelas e o altar, tudo deslumbrante. Aqui podem ver algumas telas do Caravaggio.


Piazza Navona e Sant'Agnese in Agone

Uma das praças mais célebres de Roma, com um obliquo egípcio no centro e algumas fontes. É um lugar célebre para hotéis e restaurantes, no entanto, não fiquei impressionada. Desta praça têm acesso à Igreja de Sant'Agnese in Agone, com um cúpula esplêndida e que, mesmo sendo pequenina, vale a pena visitar.



Igreja de Santo António dos Portugueses

Dedicada a Santo António de Lisboa e construída a mando de um cardeal português no século XV, é uma igreja que foi erguida e pintada por vários cidadãos lusos da altura. Encontramos referências ao nosso país, desde escudos, a imagens da Rainha Santa Isabel assim bem no meio da imensidão barroca e da talha dourada. Impressionante e belíssima.

Fontana di Trevi

Outro ex-líbris de Roma, a Fontana di Trevi é imensa e um sítio de muitas aglomerações. Mais um vestígio de Roma barroca encomendada a Bernini. É tradição atirar uma moeda à fonte e pedir um desejo - e o dinheiro que é recolhido reverte para projetos de solidariedade. É paragem obrigatória em Roma.

Santa Maria in Trivio

Mesmo ao pé da Fontana, encontram esta igreja pequenina barroca cujo exterior engana. O seu interior é massivo e impressionante, excelente para escapar à confusão do monumento mesmo ali ao lado.

Piazza di Spagna

Outra praça que não me surpreendeu, por alguma razão achei bem diferente de todas as fotografias que já tinha visto. Outro ponto popular, com uma enorme escadaria que dá acesso a uma igreja e algumas fontes. Fica muito próximo da baixa onde se pode encontrar um leque muito variado de lojas




    Roma é imensa e monumental - e os seus monumentos e obras de arte fazem-lhe jus - há muito para descobrir. Este foi o meu roteiro do primeiro dia e foi um excelente pontapé de partida! Foi tudo feito a pé e melhor... nenhum dos itens desta lista é pago, win win

BOLOGNA, ITÁLIA | A Verdadeira Cidade dos Estudantes

        Tão laranja e acastanhada, tão fria e escura mas simultaneamente tão acolhedora, tal como o abraço da Margarida, que me recebeu. Bolonha fica a duas horas de Pádua, foi o meu destino de fim-de-semana e revelou-se tão tão bom, foram pouco mais de vinte e quatro horas mas tão marcantes e tão divertidas. Bolonha tem a primeira universidade na Europa, fundada há mais de 920 anos e que hoje continua a ser casa para uma enorme comunidade estudantil - o que resulta em duas coisas: uma nightlife soberba e a procura por alojamento estudantil ser uma loucura.

        É uma cidade das artes, de museus e belíssimas igrejas, mas Bolonha também marca pelo cinema, tendo a Cineteca da qual Quentin Tarantino é sócio. Além disso, é uma cidade cheia de graffitis e de escritos nas paredes, primeiramente estranha-se, depois percebe-se que faz parte da estética. Se forem a Bologna é fundamental ir à Pizza Casa - o maior meme da cidade, até uma música tem! - em que uma pizza margherita inteira custa 2,50€ e é uma delícia. Bologna marcou-me muito porque conheci com uma amiga que lá vive mas também porque fiz algo que adoro sozinha pela primeira vez: visitei uma galeria de arte. Bologna marcou pela jam session de música revolucionária grega, pelas saídas, pela sorte que tivemos e pela chuva da qual fugimos.




Vamos aos pontos essenciais a visitar?

Pinacoteca Nazionale di Bologna

        Colado à faculdade de belas artes encontramos um museu de arte incrível repleto de mestres. A visita é feita por ordem cronológica e podemos observar desde frescos a gótico até ao renascimento e ao maneirismo. Desde Giottos a Caracci passando por Rafael. Na sua maioria é arte sacra mas dá para ver a evolução da perceção e representação religiosa na arte. Visitei sozinha, com Red (Taylor's Version) nos ouvidos e foi tão bom, tão bonito. Gostei imenso e recomendo muito.


Basílica de São Petrónio

        Situada na Piazza Maggiore, é a principal igreja de Bolonha e fascina por ter uma fachada que combina dois estilos: o gótico e o barroco. No seu interior é deveras enorme e poderão ver o desenho de uma linha do meridiano e, se tiverem sorte, uma pintura muito polémica de um profeta islâmico a arder no inferno, o que já deu aso a tentativas de atentados. Por essa razão, a segurança nesta basílica está reforçada. Perto da Basílica encontram também a estátua de Neptuno.


Torres de Bolonha

        Um dos ex-líbris, chamam-se Garisenda e degli Asinelli, ficam bem no centro da cidade e pode ser visitadas. Foi-me recomendado fazê-lo ao pôr do sol mas estava tanto nevoeiro que achei que não valia a pena. São uma estrutura medieval e somente uma se mantém intacta, a outra está imensamente torta e já não tem a altura completa.

Faculdade de Belas Artes

        Uma das faculdades mais conhecidas de Bolonha, somente andei pelos corredores e tive um vislumbre da biblioteca e de uma sala de aula, tudo cheio de estátuas, recantos e arte. Daqueles locais onde eu adoraria estudar.



Bolonha é uma loucura e espero muito regressar em breve, fica marcado por ter sido das viagens mais divertidas que já fiz por aqui.

LAGO DI GARDA, ITÁLIA | Onde a Montanha se Faz ao Lago

         O maior lago italiano e dos sítios que me fez cair o queixo. O Lago di Garda é imenso e fica a pouco tempo de Verona, são imensas as pequenas vilas em torno do mesmo que podem visitar, passear e apreciar a imensidão hídrica mas também da cadeia montanhosa ao fundo que é de cortar a respiração.

        Visitámos Peschiera de Garda, porque era onde parava o comboio, e revelou-se uma pequena vila piscatória muito fofinha, cheia de flores, casas coloridas e claro, o lago ao passar a rua. Tão imenso, tão limpo, tão azul. Para além de Peschiera, seguimos para Sermione, uma pequena península a vinte minutos de autocarro de Peschiera. Conhecida pelas termas, os imensos hotéis e o seu castelo fortificado. Foi o local mais bonito que encontrámos nos arredores de Garda. Não tenho grandes conselhos, tanto podem passar uma manhã no lago como vários dias, nós fizemos um dia inteiro a caminhar pelas vilas, a fotografar o lago, visitar capelinhas e pequenos recantos. No entanto, recomendo MUITO que vejam o pôr do sol à beira do lago, é absolutamente mágico, e que, se for verão, desfrutem das espreguiçadeiras e façam passeios de barco.

        Foi dos sítios que mais me surpreendeu e no meio de tantas metrópoles tão caóticas e frenéticas, já sentia a falta da minha natureza. Se tiverem tempo e andarem nos arredores, o Lago di Garda é uma paragem que não se vão arrepender de fazer!


FLORENÇA, ITÁLIA | Tão Deslumbrante como da Primeira Vez

        É raro repetir destinos no estrangeiro, precisamente porque prefiro explorar coisas novas e guardar tudo o que já visitei na memória, mas estando tão perto, porém, não dava para não voltar a Florença. Estive lá há quatro anos em família numa viagem intensiva de cinco dias em que vimos absolutamente tudo e subimos a todas as torres e miradouros. Desta vez, fizemos Florença em três dias - e chega bem! -, on a budget e com amigas. Florença marcou o reencontro com a Kika e a Cat que estão em Erasmus em Roma. Repeti a maioria dos museus e monumentos mas é sempre bom voltar, é sempre bom rever Florença.

        Super acessível tanto de autocarro (Itabus ou Flixbus) ou de comboio (até Santa Maria Novella) - para quando vim de avião aterrei em Pisa -, Florença fica bem no meio das montanhas da Tuscânia e é especialmente conhecida por ser o berço do Renascimento, por cada cantinho ser um pedaço de arte e cada paisagem digna de postal. Tal como Paris, excelente para visitar antes dos 25 anos porque todos os bilhetes são reduzidos (por norma em vez de 10€, pagam 2€), para maiores de 25 anos recomendo o Firenze Card que os meus pais usaram em 2017, compensa imenso. Da última vez visitei no início de Setembro e agora em meados de Outubro e gostei mais de visitar em Outubro, deveras agradável de andar na rua com o misto das cores de outono e as primeiras decorações de Natal, durante a semana é calmo mas durante o fim-de-semana é mais agitado, como no verão.

Ponte vecchio

        Um dos maiores postais da cidade, uma ponte com arcos e um pequeno edifício em cima que cruza o rio Arno. Na verdade, detém um corredor que nos leva do Palazzo Vecchio ao Palazzo Pitti, remontando ao tempo dos Medici. Um local que se pode tornar deveras crowded, detém imensas joelharias e pequenas lojas e até músicos de rua. Local a visitar de noite e de dia mas também para observar e fotografar das pontes adjacentes e das margens.


Santa Maria del Fiori

        A Catedral que se impõe sobre todos os edifícios que, desta vez, tropeçámos sem querer e já não me recordava da sua imensidão. É brutal recordar-me que foi construído por volta do século XVI. É um trabalho do arquiteto Brunelleschi, que deixem-me que vos diga,  não brinca em serviço. Uma cúpula que se impõe e uma mistura de mármores exteriores que se esbate de uma forma tão carismática e leve. É o ex-líbris de Florença e é impossível não passar pela Piazza Duomo e não ficar boquiaberto. Podem visitar o seu interior, que é gratuito, só têm de estar na fila - por norma de 1h. Na minha opinião, não vale a pena visitar o interior e esperar este tempo todo, a cúpula por dentro é muito bonita mas há pouco mais para apreciar, honestamente, a mim parece-me que o budget foi todo gasto no exterior! Se puderem entrar, não perdem nada mas, na minha opinião, não é prioridade.

        Em Santa Maria del Fiori podem visitar também o Batistério e o Museo Duomo, cujo bilhete é conjunto. O Batistério é deveras belo, o Museo Duomo tem as estátuas reais da Catedral e do Batistério (onde podem ver as Portas do Inferno) e fala também da história da construção de Santa Maria del Fiori. Podem também subir à cúpula e ao campanário, é absolutamente arrebatador subir à cúpula mas gostei mais de subir ao campanário do Giotto.




Galleria degli Uffizi

        Um dos museus principais da cidade e um dos meus prediletos, é enorme e repleto de história e de obras de arte muito importantes na história. O piso de cima é o mais importante, onde encontramos obras como o Nascimento de Vénus do Botticelli, a Anunciação do Leonardo da Vinci ou o Baco do Caravaggio. É um paraíso para os amantes de arte, confesso que desta vez senti a falta da mnha mãe a explicar-me e ensinar-me sobre arte enquanto caminhávamos pelo museu. Aconselho que reservem duas a três horas e que vão confortáveis, já sabemos como é o passo-museu, verdade?

        Ao fim-de-semana terão de reservar bilhetes obrigatoriamente e existe uma taxa a pagar. É um local a não perder e que, se viesse novamente a Florença, visitaria de novo.

Capella Medici

        Outro dos meus lugares preferidos e que digo a toda a gente para visitar, a família Medici foi deveras influente em Itália mas especialmente Florença, esta é a Capela da família, junto à Basílica de San Lorenzo. Era uma família muito muito católica e muito muito rica, conseguem imaginar o resultado? Uma arquitetura, trabalho em mármore, arte sacra e pinturas de cortar a respiração. Já tinha sido dos meus sítios prediletos e voltou a impor-se como tal, arrebatador.


Piazzale Michaelangelo

        Uma praceta em género de miradouro, preparem as perninhas para as escadas! Detém uma escadaria perfeita para ver o pôr do sol sobre a cidade com umas bebidas e uns snacks. Tem também uma réplica do David do Michaelangelo.



Galleria dell'Academia

        E nem a propósito do David... a obra real que tanto marcou a escultura, a representação do corpo humano e o Renascimento está aqui. Aliás, é o museu com mais esculturas executadas por Michaelangelo. Este museu tem as obras de arte dos alunos da Academia de Belas Artes de Florença e podem também observar alguma arte sacra de igrejas fiorentinas. É um museu pequeno, vê-se relativamente rápido mas é paragem obrigatória.



Palazzo Pitti e Boboli Garden

        Também arquitetado por Brunelleschi, foi residência de um banqueiro muito abastado e, posteriormente, residência dos Medici mas também dos Saboia e dos Bonaparte. Hoje, é uma das maiores galerias de arte de Florença.

        A parte mais conhecida denomina-se de Galeria Palatina onde além de cinco centenas de quadros, podemos também apreciar a loucura que são as salas, os seu tetos e os seus detalhes. Podem também visitar a Galeria de Arte Moderna.

        Os Jardins Boboli são os terrenos do palácio, repletos de recantos, lagos e estátuas. Se tiverem tempo aconselho a explorar, gostei muito de revisitar este local no outono e ao fim do dia, pela luz e pelas cores.






Piazza della Signoria e Piazza della Reppublica

        Dois espaços abertos e duas praças emblemáticas na cidade. A primeira mesmo em frente ao Palazzo Vecchio, mais antiga e típica, a segunda mais cosmopolita e contemporânea. Sítios de passagem rápida, porém obrigatória.


Outros locais de interesse:

Capella Bracacci | É uma pequena capela na Igreja de Santa Maria del Carmine com algumas pinturas muito conhecidas de Masaccio como a Expulsão do Jardim de Éden. A capela é deslumbrante mas a restante igreja também o é! Para visitar somente a capela paga-se mas pode-se entrar gratuitamente na Igreja e consegue-se apreciar a Capela Brancacci de longe.

Piazza Santa Croce | Outra praça emblemática em Florença, junto à Basílica de Santa Croce, é um excelente local para sentar, relaxar e comer um gelato!

Basílica Santo Spirito | Mais uma obra de Brunelleschi com mais umas obras de Michelangelo. Um Basílica gratuita que vale a pena visitar, pro tip: em Itália fazer rally igrejas é estupendo, são museu de arte na maioria das vezes e, ainda, gratuitos!

Palazzo Medici Riccardi | Mais um Palácio Renascentista que pertenceu à família Medici e também à família Riccardi. Podem entrar na Capela dos Magos - pequena mas soberba! -, bibliotecas, galerias, os claustros e ainda ver resquícios arqueológicos. Hoje em dia, é um local que tem funções de administração pública, estando aberto a visitas quando não está a ser usado. Como qualquer Palácio dos Medici, os detalhes, a opulência e os tetos são de cortar a respiração. Pude também visitar a exposição temporária alojada no edifício de desenhos reais que deram origem a filmes de animação. Os rascunhos do Bambi, da Pequena Sereia ou até do Mickey Mouse estão presentes e eu achei giríssimo!



San Miniato al Monte | Num dos pontos mais altos da cidade encontramos a San Miniato, uma igreja românica cuja primeira estrutura remonta há um milénio atrás. É diferente de todas as outra igrejas de Florença mas muito bonita também, mesmo a precisar de restauro. A subida é longa e dolorosa, não faz mal a ninguém sentar na escadaria, descansar e apreciar a vista!

Outros sítios que não visitei desta vez mas onde já estive: Palazzo Vecchio, Museo San Marco, Museu Duomo, Baptistério.

Locais que nunca visitei: Orsanmichelle, Bargello, Santa Croce, Giardino delle Rose, Santa Maria Novella

Locais para comer: La Grotta di Leo (a melhor panna cotta da vidaaaa!), Gelataria Sbrino, Gelataria Vivoli, Mercato San Lorenzo


        Florença tem imenso para ver mas aconselho a perderem-se nas ruas - com cuidado porque os condutores são doidos - e a explorar cada recanto. É uma cidade-postal, que já tinha levado o meu coração em 2017 e que o voltou a arrancar em 2021, foi uma viagem muito divertida, muito rica e Florença nunca falha. É sempre deslumbrante.

 
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