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2022 | Agosto e Setembro

        Fecho um mês em que não escrevi de todo, mas que gritou uma nova vida, muitas novidades e perspetivas muito bonitas de futuro. Para que nada se perca, neste meu pedacinho, hoje falo-vos dos meses incríveis e desafiantes que foram agosto e setembro.

        Houve muito escutismo e tudo aquilo em que participei foram valentes balões de oxigénio, repletos de motivação e ânimo para este próximo ano que se está prestes a iniciar. Primeiro, o ACANAC, Acampamento Nacional, onde conhecemos Belmonte, integrámos uma família incrível com pessoas de todo o país. Enquanto nos divertíamos e fazíamos escutismo, crescemos tanto, fizemos história. Foi também altura do Tecoree, com tanto trabalho mas com um sentimento de concretização e de superação enorme. Por fim, o Dravim, o meu regresso à minha Drave, mais em paz, com mais calma. Onde os abraços foram mais apertados, os sacos de estacas traziam surpresas e onde, ao cantarmos bem alto, as luzes se apagavam e se acendiam as estrelas. Mágico do princípio ao fim.

        Agosto teve muitos mergulhos no rio e festas na aldeia. Foi palco de leituras na rede e de concertos bonitos, bailaricos e chegar a casa de madrugada. Setembro teve um recomeço na minha educação ao  começar o meu Mestrado numa universidade nova, mas houve tempo de ir dar um abraço apertado aos meus afilhados na faculdade que será sempre a minha casa, a Nova.

        Houve reunião das minhas amigas de Erasmus, despedi-me da Mariana que foi para a Bulgária e organizámos uma festa de despedida para a minha Alice, correntemente na Suíça. Foram meses de bons livros e da minha estreia na banda-desenhada. De música escutista, videochamadas para encurtar a distância e a saudade, de horas sem fim a editar vídeos, indo até às boleias repletas de confissões e desabafos. Meses em que subi e desci o país várias vezes, em que abracei as minha amizades longínquas mas mantive-me recetiva a novos (e tão bonitos) laços. Foram sleepovers, leituras académicas intermináveis, senhas para a quermesse. Foram os vestidos fluídos que transitam vagarosamente para as roupas mais aconchegantes. Foi a música deslumbrante à qual demos corpo, uma candidatura muito especial, um artigo publicado numa revista, paddle na barragem ao pôr do sol.

        Agosto e Setembro foram daquele céu estrelado repleto de alma. Foi aquele café, aquele texto do Tolentino, foram os sinais incessantes. Foram meses de viragem, e estou deveras ansiosa e expectante de tudo aquilo que está por vir.

2022 | Julho

        Que mês leve, que mês bom. Tanto de descanso como de trabalho e horas em reuniões. O saldo é deveras positivo e sinto-me imensamente realizada e feliz com as oportunidades que Julho me proporcionou. Entre tardes de sol e discussões acesas houve tempo de combinar os padrões mais aleatórios, comer as saladas mais frescas e de apanhar a dose certa de sol.

        Subi e desci o país várias vezes - e na próxima semana farei igual. Fui ao Algarve duas vezes, uma em família, outra com amigos, e ainda fui até à zona de Arouca concretizar um sonho de miúda e um dos meus objetivos para este ano: ir a Drave. Mergulhamos nas suas profundas lagoas, descansámos debaixo das árvores e vimos as estrelas e o por-do-sol por entre os vales. A aldeia mágica revelou-se, verdadeiramente, mágica.

        Julho de mochila às costas, de mergulhos e corridas para o mar, de piqueniques na Gulbenkian e de sestas na rede. Julho de ler livros incríveis, de acampar muito e de ter a enorme sorte de ter arranjado um bilhete para o Harry à última da hora - vemo-nos lá?! Que agosto vos sorria e vos traga memórias para sempre recordar, vou fazer por isso. Sejam de luz não só para os outros mas também para vocês mesmos.





2022 | Junho

        O melhor mês do ano não desilude. Seja por ter os dias mais longos do ano e de podermos jantar em plena luz do dia mas também porque Junho é sinónimo de festa, de fechar etapas e de celebrar a vida. O mês em que me licenciei em Ciências da Comunicação pela Universidade Nova de Lisboa mas em que também entrei no fabuloso clube dos vinte e um. Junho foi puro amor, descanso e reconexão.

        Envergamos o traje pela última vez enquanto defendíamos o nosso curso com o coração, fomos a Évora à Feira de São João com direito a concertos, carrinhos de choque mas também a museus, monumentos, história e gelado. Junho de festejos com os aniversários cá de casa e com os santos populares - quando chegar ao céu espero que se assemelhe a um bom arraial, de verdade -, a melhor altura do ano. Junho foi de planos à última da hora, de conversas (demasiado) longas no carro, de festejar as queimas de amigas tão queridas, de sair á noite e só voltar quando o sol já dá de si. De celebrar o ingresso da Alicinha num mestrado de sonho na Suíça, de celebrar ser mordoma de santo António na minha aldeia. Junho de ler bons livros e de dar menos mergulhos do que aqueles que gostaria. Junho de covid cá em casa.

        Junho de Verão, de amor, Junho de abraços calorosos. Sejam como Junho para quem vos rodeia, repletos, transformadores, carinhosos. Que Julho seja Luz!

2022 | Maio

        Maio foi o mês mais feliz do ano até agora e, por essa razão, recordo-o com muito carinho. Foi altura de celebrar o dia da mãe em casa dos avós e de passear por Tomar, foram dias de entusiasmo com a Eurovisão e ainda de apreciar os primeiros dias de sol na esplanada com os melhores coordenados do meu armário.

     Maio de desfrutar de Harry's House, dos jacarandás em flor que salpicam Lisboa do seu deslumbrante violeta e ainda de apreciar as melhores frutas da estação. Maio de ler muito (terminei dois livros, fazemos uma dança da vitória pela slow-reader?), de apanhar covid, de desfrutar do fado e de muito treino e trabalho árduo que nos levou ao apuramento para o maior evento de ginástica mundial, a Gymnaestrada na Holanda em 2023. 

        Maio pode ser tudo, mas nunca deixará de ser um mês mais académico. Foi hora de escrever e ler fitas das pessoas que amo. De chorar de nostalgia e de gritar pelo meu curso como se não houvesse amanhã. De desfilar pelo átrio após ouvir o meu nome a abanar as minhas fitas verdes e azuis na Queima das Fitas. Maio de me tornar madrinha do Vasco - de joelho no chão e tudo - e de voltar a abraçar a minha afilhada Matilde, de regresso de Erasmus. De enterrar caloiros, traçar capas e ver miúdos a crescer. Das últimas aulas e últimas avaliações. O fim de um ciclo um tanto quanto caótico mas deveras bonito.

    Obrigada por Maio, Junho tem-me na mão - vamos ser felizes!

2022 | Abril

        "Então como estás?" "Vai-se andando, há dias melhores, há dias piores". Abril foi muito assim e tem tanto que se lhe diga.  Já com cheirinho a primavera e chuvosa quanto baste, eu gosto sempre de recordar o melhor que cada mês me trouxe. Vamos rever Abril?

        A minha altura preferida do mês foi a semana passada em família na aldeia antes da Páscoa. Foram dias muito bonitos e calmos, tal como precisava. Feito de algum descanso e séries mas também de leitura de artigos e entrega de trabalhos. Passeámos por Almeida e Penalobo e cruzámos a fronteira indo até Cidade Rodrigo. Subimos à Malcata a pé pela manhã, relaxamos nas termas do Cró e celebrámos a Páscoa com os Cascoréis - e foi tão bom voltar à tradição.

        Em abril fui mimada com um kinder grande surpresa, com reencontros com amigas entre croissants da Chouppana, brownies da FCT ou uns dedos de conversa no pátio de Belas Artes e com compras em segunda mão. Fui também mimada com a entrada no mestrado que tanto ambicionava (dança da vitória!) e com fitas das minhas amigas mais queridas. Foi altura de ir buscar as nossas pastas de finalista, de rally e de aproveitar a esplanada e o Pato. Fui ao cinema, li, ri muito e voltei a fotografar. Participei no GymForLife e nos Jogos da Primavera, orgulhei-me muito de trabalhos que apresentei e senti a nostalgia deste fim de etapa. Celebrei o 25 de abril, vi muitos sorrisos sem máscara, remexi em feridas e tive algumas frustrações entre o meu querer e o meu dever.

        Maio será deveras desafiante, que se encha de abraços, de conquistas e de capas negras. Que seja memorável.

2022 | Março

 Março foi um mês ocupado o que me distraiu das minhas feridas mais frescas. Fins-de-semana mais ocupados que algumas semanas, to-do lists sem fim, correria de um acontecimento para outro. Foi um mês em que, apesar de sentir um vazio, o tentei preencher com saídas com amigas, com diversão espontânea e a fazer o melhor que sei naquilo que tenho em mãos.

Em Março fiquei muito doente durante uma semana e tive dias muito duros, mas também foi altura de churrascos, jantares de curso, tardes no Pato. Celebrámos o aniversário da Bea e da Raquel e ainda o dia do Pai. Em termos de conquistas, conduzi sozinha pela primeira vez e organizei e idealizei eventos bonitos para muita gente. Foram noites sem fim de conversa com a Marisa e a Alice, jantar num restaurante israelita com o David e a Joana e ainda ter a oportunidade de tomar um chá com a Inês, de matar as saudades e de pôr a conversa em dia, e soube tão bem!

Fui ao Cenáculo, ao Stey e vivi intensamente as nossas promessas. Candidatei-me a mestrado, senti o semestre a começar a apertar e caiu-me a ficha de serem os últimos meses da licenciatura, a ansia pelo que aí vem e a nostalgia daquilo que já vivemos. Foi Março de serviço e de angariação de fundos mas também de não ter  muito tempo para mim.

Que Abril seja de família, de natureza, de liberdade. De cura, de amor, de tempo. Que Abril exorbite a primavera que há em cada um de nós!

2022 | Fevereiro

        Grata por Fevereiro mas a vida segue, e eu sigo com ela. Entre gelados, passeio e fotografias, corredores e escadarias, fevereiro fez-me voltar à faculdade para o último semestre da minha licenciatura mas também me trocou as voltas. Foi um mês exaustivo e trouxe-me muita ansiedade, especialmente por ter representado o meu retorno à minha vida normal, às preocupações, afazeres, agendas preenchidas e uns quantos imprevistos.

        Fevereiro ficou marcado pelo estalar deste conflito no leste europeu e chegou uma altura em que tive de desligar das redes sociais pelo bombardeamento contante de informação a uma velocidade alucinante - e é um privilégio poder fazê-lo. Fevereiro foi também palco do fim da nossa história de alguns anos, de forma desprevenida mas com a honestidade e o carinho que sempre nos marcou. Resta um vazio, alguma solidão e tropeções em pedaços de nós que ficaram por aí. Resta a gratidão pelas memórias e pelo crescimento mútuo, e é isso que guardo.

        Mas no meio do caos há sempre coisas bonitas a recordar: voltar a ser vacinada, encontrar peças bonitas no armário da minha mãe e ainda acampei muito, fazendo jus às saudades. Em Fevereiro cortei o cabelo, fiz parte de diversas cerimónias bonitas, tirei o pó à farda e ao traje académico. Celebrei o aniversário do meu pai com creme bruleè. Recebi as minhas analógicas de Itália, joguei Wordle, dormi junto à fogueira, cacei estrelas cadentes. Dei abraços apertados às minhas pessoas que estão neste momento a viver o seu Erasmus, fui a uma palestra absolutamente exímia acerca de cinema e subi à Serra da Arrábida para ver o nascer do sol.

        Fevereiro não foi gentil comigo, de todo, mas tenho a qualidade - ou talvez o defeito - de me conseguir focar sempre em soluções, mesmo que tenha um longo caminho de crescimento emocional e de cura diante de mim. Recordo os abraços das minhas amigas, as constelações decifradas em campo, o recorte noturno da montanha, as canecas de chá, o entusiasmo do novo semestre e o churrasco de boas-vindas. Que Março seja amável comigo e me abrace no seu florescimento. Dá-me tempo.

2022 | Janeiro

        Vou contra toda a gente mas, para mim, Janeiro passou num abrir e fechar de olhos - talvez por todos os afazeres e mudanças proporcionadas pelos trinta e um dias do primeiro mês do ano. Este começou precisamente em casa, somente com os meus pais num isolamento voluntário por ter tido um contacto de baixo risco que depois se dissipou num resultado negativo, podendo aproveitar os meus dias em Portugal, apanhar sol e passear pela praia.

        Janeiro foi a altura em que andei de avião sozinha pela primeira vez e em que tive a minha primeira época de exames - concluída com bastante mérito e dedicação. Ainda na onda das primeiras vezes, comprei algumas fitas avulso e levei para as minhas amigas de Padova escreverem nelas, foi deveras nostálgico, deveras enternecedor. E dos primeiros aos últimos, janeiro ficou marcado pela minha última inscrição num semestre da faculdade - é verdade, sou finalista e estou imensamente entusiasmada para as unidades curriculares que irão fechar este capítulo.

        Janeiro ficou marcado pelo fim dos meus meses Erasmus, um bocadinho mais cedo que o suposto mas quando fez sentido para mim - estou num processo de luto e estar longe da minha família não estava a ser fácil. Fiz os meus exames, vendi os meus pertences e fiz as malas para regressar. As minhas últimas semanas em Itália foram de muito estudo porém, nas pausas, caminhávamos pelas ruelas da cidade de gelato em punho. Fomos uma última vez a sítios tão emblemáticos como a capela pintada pelo Giotto, o Prato della Vale, o SantAntonio ou até o nosso bar de eleição. Brindámos uma última vez com spritz num aperitivo e despedimo-nos de lágrimas nos olhos, sorrisos rasgados e abraços apertados. Pádua foi casa e sinto-me muito muito grata por esta etapa e por tudo aquilo que me ensinou.

            De volta a terras lusas, foi altura de voltar à tão "estranha" mas tão normal realidade. Regressar aos amigos, aos passeio românticos, aos treinos, à farda dos escuteiros. Não sei como descrever mas é "bom" sentir que fazemos falta, houve abraços e "tinha tantas saudades tuas" que aqueceram o coração. Hora de voltar a conduzir e definir planos a longo prazo. Feliz de voltar, nostálgica de todas as memórias que se encerram nas fotografias e no meu journal azul-andorinha. Em janeiro acompanhei os debates presidenciais, votei e ainda chamei o 112 pela primeira vez - não passou de um susto, está tudo bem - friso também a importância de todos termos conhecimentos de primeiros socorros. Noutra vertente, janeiro foi  ainda altura de participar no São Paulo e de revelar as minhas fotografias analógicas. 

        Foi hora de arregaçar as mangas, planear e começar aos poucos a concretizar. Que Fevereiro seja dos abraços que forem possível, do regresso à Avenida de Berna e dos amigos que ainda faltam visitar. Que fevereiro seja repleto de amor para todos vós!

2022 | Os Objetivos

        Nada seria tão Leonor como um pontapé de saída num novo ano com foco em tudo aquilo que quero concretizar nos próximos 365 dias. Sou muito guiada por objetivos, tento ser realista mas também gosto de ser desafiada e de sonhar um bocadinho. Confesso que, em 2021, não estava com a motivação no lugar certo mas decidi escrever objetivos à mesma, mais terra a terra e posso dizer que foi uma tarefa bem sucedida. 

        Consegui integrar um projeto na minha área onde tenho aprendido e trabalhado muito, passei a todas as cadeiras à primeira -  mesmo tendo ido a um exame de melhoria de nota, presenciei a Queima das Fitas de pessoas tão especiais para mim, tentei ter uma abordagem mais consciente e sustentável da minha vida - mas acredito que me podia ter esforçado mais e ter aprendido mais sobre o assunto - e, por fim, fiz Erasmus, este foi o objetivo que escrevi mais a medo e que mais receio tive de não cumprir. 


Vamos aos objetivos para 2022?

Concluir o Curso | Se tudo correr bem, por volta de junho serei licenciada em Ciências da Comunicação. Este é o objetivo. Até lá tenho todas as avaliações do primeiro semestre por fazer - e estou deveras receosa porque os métodos de avaliação são diferentes e desconheço a complexidade e exigência das provas que tenho de prestar em Itália - e ainda um segundo semestre que será a conclusão deste ciclo. Estou muito entusiasmada com as Unidades Curriculares que terei em mãos e também com a possibilidade de estagiar na minha área.

Decidir o que Fazer à Minha Vida | Com o final desta etapa académica, avizinham-se decisões a tomar. O que fazer a seguir? Continuar a estudar? Mestrado, pós-graduação, outra licenciatura? Ingressar logo no mercado de trabalho? Trabalhar enquanto estudo? Ainda tenho que definir a minha estratégia e refletir seriamente sobre o futuro mas este objetivo recai especialmente sobre isso: decidir o que fazer e ser bem sucedida, qual quer que seja a minha decisão.

Ler 10 Livros | Eu sei.. eu sei. Um número pequeno. Nunca me desafiei a ler por números mas este ano gostaria de implementar o hábito da leitura na minha vida. Adoro ler mas distraio-me muito facilmente e nunca consegui ter uma boa rotina literária. Creio que em 2021 li seis ou sete livros, tirando os livros em contexto académico que teimam em não terminar.

Ir a Drave | Um sonho antigoooo, tal como Assis. Drave é a Base Nacional da IV secção. Localiza-se perto de Arouca, no meio das montanhas. Não há internet, tampouco existe rede. O acesso somente se faz a pé e é um sonho de miúda lá ir. Quer seja com o meu clã ou noutras atividades regionais e nacionais, gostaria muito de dizer: deste ano não passa!

Voltar a Fazer Journaling | Deixei de fazer bullet journal no ano passado e sinto muito a falta deste escape criativo e acolhedor, um espaço só meu. Gostaria de voltar a fazer algo mas não em modo agenda, algo descomprometido e sem cobranças. Creio que me faria bastante bem.


Desejo-vos a todos um ano repleto de aprendizagens. Que nunca vos falte saúde e amor, é o que nos basta. Feliz 2022!

 
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