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DESPORTO | Falamos sobre a Simone Biles?

        Para os mais atentos e para os mais adeptos dos Jogos Olímpicos - como é o meu caso - já se aperceberam do burburinho em torno da saída de Simone Biles da competição. A norte-americana campeã olímpica individual e por equipa no Rio 2016 tomou a decisão de ser substituída por uma colega dado que não se sentia bem mentalmente e eu só tenho que aplaudir.

        Apesar da sua juventude, e dos julgamentos cibernautas cheios de achismos, é uma atleta que vive há anos na mais alta-competição e na dureza quase soviética que é o seu dia-a-dia que envolve pressão e expectativas. A decisão de sair da competição foi estratégica - por não se sentir bem poderia não só magoar-se seriamente como perder uma medalha no pódio para a sua equipa - mas também foi um grito que precisava de ser dado e é sobretudo preciso coragem para chegar ao topo do mundo, enquanto o carrega aos ombros, e dizer que não dá mais. Relembro também que Simone é a única atleta a competir que foi uma das vítimas de Larry Nassar, membro da equipa técnica da USAG.

        Demonstra integridade, altruísmo e muita muita coragem. O desporto de alta competição precisava de um sinal de Stop destes, afinal de contas, se o desporto é tão importante na saúde física, é igualmente importante no âmbito da saúde mental. É sobre fazer-mos aquilo que é melhor para nós e não aquilo que os outros querem. Bravo.



DESPORTO | Um Escape Mental

        Treino há muitos anos no mesmo grupo, na mesma modalidade e com as mesmas pessoas e noto, cada vez mais, que a ginástica para mim é, mais do que tudo, conforto mental. Principalmente nesta altura de confinamento e numa altura em que já só a mais velha e já não ando na secundária. Tornou-se um compromisso, para com várias coisas, mas especialmente para comigo. Faz me bem ao nível físico, é bom exercitar, correr, desafiar-me, dançar, mas mais do que o físico, para mim é um paraíso mental e por este e mais aspetos não me vejo a deixar a modalidade anytime soon. É o botão de desligar do mundo lá fora - cheio de deadlines e chatices - e focar-me em mim, no meu momento. É como que uma meditação, são aquelas míseras horinhas semanais que dão um boost que preciso para aguentar mais dias atribulados. E revejo este refúgio em muitas outras pessoas durante o período que passamos, como um momento de descontração, de libertação, que vai muito além do físico e do corpo.

        Gosto de treinar, sobretudo quando tenho chatices para resolver e decisões para fazer, gosto de treinar em véspera de frequências e exames - chamaram-me louca ao ir treinar no dia anterior ao exame nacional que me faria entrar na faculdade, mas eu faria tudo igual. E mesmo que custe, canse e doa, não há nada como a paz de espírito que me traz. A dor tornou-se terapêutica e companheira e o cansaço uma vitória. Isto tudo para dizer, por mais que tonifique o meu corpo, que desenvolva algumas capacidades físicas, não há nada que me prenda mais do que aquele espaço de bem-estar e de descanso mental. É o meu trunfo.

 
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